Netuno, casa 12 e o signo de peixes
Muita gente quando começa a estudar astrologia e descobre a fama da casa 12 e de Netuno no mapa, simplesmente se apavora. Mas não é para menos, apesar de ambos, incluindo aí também o signo de peixes (em um outro formato mais amplo e arquetípico), todos trazem a ambiguidade de quando acessamos o agora infinito ou a experiência do Todo e do nada, que são, para a nossa consciência, exatamente a mesma coisa. Quem escolhe como percebe essa experiência única é nosso livre-arbítrio e nível de percepção da realidade, uma escolha que cabe aos recursos internos de cada um.
O pleno e o vazio
Quando nossa consciência experimenta uma vivência netuniana (seja por ativação de Netuno, casa 12 ou o signo peixes) por trânsitos ou progressões ou mesmo no mapa natal (se expressando em nossa vida de forma inerente à nossa natureza essencial), em todos os casos podemos experimentar o que se chama de vazio existencial. Algo como uma vivência do nada, do zero, do branco mental, emocional e físico, do estado contemplativo em sua melhor versão e da angústia de existir em sua versão mais sombria. O que pode desencadear na consciência respostas diversas, dependendo de mil fatores, como nível de percepção da realidade, maturidade emocional, estilo de vida, contexto social em que ocorre tais momentos e muitos outros, mas que definem a experiência como positiva ou negativa e conduzem esse momento a algo igualmente bom ou ruim.
Um portal do aqui-agora
No caso da percepção no sentido negativo, é uma pena… porque esses momentos são tão ricos e tão desperdiçados, quando a alma não está preparada para lidar com este estado profundo da experiência humana encarnada. Isso porque acessar o nada é o mesmo que estar plenamente no aqui-agora, estar totalmente presente e pleno no agora infinito. Um estado de consciência raríssimo para a maioria das pessoas reconhecerem e valorizarem, e que na verdade pode se converter em um canal de acessibilidade ao plano espiritual, aos registros akáshicos e a informações que pertencem ao plano maior de existência. Ou seja, estar no aqui-agora é totalmente diferente de se sentir evoluído ou espiritualizado, mas, apesar de ser uma experiência possível a todo ser humano em algum estágio da vida, essa vivência tem a característica de abrir um portal interdimencional e, sim, pode ser denso, caso seu contexto interno e externo também esteja denso.
A angústia e a inquietação
Angústia e inquietação são fatos reais e a via que leva a muitos a se perderem por acharem que isso é uma patologia mental ou uma distorção da realidade. De fato, não é algo padrão ou habitual de existir, mas também não pode ser chamado de distorção, já que essa experiência netuniana eventualmente acontece com qualquer um de nós, em algum momento da vida. Essas emoções e sentimentos podem surgir por causa da aparente abertura interna dos alicerces da psique, uma percepção que, se for vista como oportunidade, podemos olhar para cima e receber as referências lumínicas que o momento proporciona. Mas, se olharmos para o lado ou abaixo de nossos pés, no sentido de que olhando ao redor e para a realidade prática, podemos entender equivocadamente que este estado não favorece as atividades rotineiras ou mentais e físicas, já que esta é uma abertura emocional ou além matéria.
Estado contemplativo x perda do ego
Este estado pode ser vivido como contemplativo, como exercício de respiração e observação plena, presente e atenta ao movimento ao redor do momento presente, do agora infinito, do pleno aqui-agora. Essa é a melhor versão caso a consciência já tenha um caminho trilhado com meditação ou concentração interna, respiração consciente ou mindfullness. Se não tiver, então entra aqui a tal da angústia, por causa da perda de referências do tempo corrente passado->presente->futuro. O que seria potencial de redirecionamento da consciência, essa experiência vira um turbilhão de emoções perdidas e sufocantes, um espaço de quase enlouquecimento ou sensação de perda dos limites pessoais para algo tão maior, que as referências do ego se esfacelam diante dos próprios olhos e da própria respiração, que vira um perder-se a cada instante. O estado contemplativo, de rico e poderoso para a evolução consciente, vira um estado de perda de si e desespero do ego, algo que pode ser bem perigoso dependendo dos recursos internos de cada ser.
Rituais automáticos não fazem sentido
Quando se vive o agora pleno e sem referências de passado e futuro, sem essa sensação de sequência de tempo, sem a percepção de um passo atrás do outro no decorrer do tempo, a primeira coisa que se perde é a sensação de apoio para a consciência que os rituais diários e confortáveis para o piloto automático costumeiros tem. Rituais perdem o sentido justamente porque ritual é âncora da mente corrente de que existe sim passado, presente e futuro e que as coisas estão interligadas como uma corrente de acontecimentos. O que se sente perder aqui é essa sensação de apoio, de passo a passo de encadeamento dos fatos. A mente fica tão presente, tão no agora que desancora dos outros tempos e perde a referência de construção do espaço-tempo habitual. É tudo tão potencial, é tanta força no agora, que assusta a mente acostumada a viver de segurança nos rituais pré-agendados da rotina e da vida corriqueira.
Do mal-estar ao agora pleno
Há um tipo da experiência netuniana ou de casa 12 ativada que pode se resumir a um perene estado de desconforto em estar vivo, um mal-estar de estar na própria pele, um estado de angústia de existir, como se o agora estivesse perdido no tempo, um tempo sem tempo, sem passado e sem futuro, um tempo avulso e desorientado. O positivo disso pode não ser achado pela consciência, que vive na intensidade desse agora, sem referências de passado e futuro, é aí que surge então a angústia, o despreparo de se viver a potência desse agora pleno de possibilidades.
O que há de potencial acaba se perdendo em meio ao estado de desespero, de estar perdido e sem referências. Existir na própria pele parece então ser um grande desafio, pois viver assim perde o sentido… mas é justo isso que o agora pleno quer, tudo fica tão sem sentido, as peças da estrutura da vida ficam tão em suspenso, que permite a remontagem do ego ao manejo da consciência presente e atuante, consciente do que ocorre de fato e empoderada de si. Esse agora poderoso é que reestrutura as peças da vida e da existência para um novo agora futuro, com novas peças e nova organização interna. Permitindo a consciência a moldar-se a si mesma, a reconstruir-se e se reconfigurar em um formato estrutural mais pleno, mais organizado e mais puro. A vida recomeça a partir daí.
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