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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

OS ELEMENTOS E A GEOMETRIA SAGRADA DO UNIVERSO

A partir de onde tudo surge e para onde tudo retorna

Quando pensamos em vida, imaginamos um corpo pulsante, uma mente ativa e muita energia em movimento. Pensamos nos reinos orgânicos: animal e humano, vegetal e nos micro-organismos vivos. Mas quando pensamos em morte, logo imaginamos um corpo inerte, apenas matéria, sem a mente, sem alma, sem movimento. O que difere um do outro é a conjunção de elementos que ali dão vida à matéria, que encorparam, que trazem pulsação, energia, movimento e sopro de vida, força de existir. Devo salientar que não pretendo adentrar os temas das dimensões espirituais, pois inclusive já escrevi sobre isso bem a fundo aqui neste blog, no texto: Eclipses, um portal entre dimensões. Mas sim, pretendo trazer o tema dos elementos que constituem a vida, na Terra e fora dela, os quais pertencem a todo o universo. Para além disso, vamos mergulhar no fato de que a vida é uma combinação e organização sofisticada da conjunção de todos eles atuantes, em circulação e composição bioquímica dos cinco elementos. Elementos esses que são originados pelos cinco sólidos básicos da geometria sagrada do universo - referenciados aqui na filosofia atlante, da antiga Atlântida. Neste ponto irei extrapolar os quatro elementos da astrologia, pois trago o éter como elemento de vida (o quinto elemento), o que traz a vida, e que nos conduz à percepção de que, sem ele, sobram os quatro elementos, de onde tudo surge e para onde tudo retorna, após o fim de uma vida.


Podemos observar então que, um corpo para surgir, precisou de um ser etéreo que ativou uma faísca de vida (o fogo) a partir de uma célula-mãe de DNA. A partir daí foi sendo agregado e constituído pouco a pouco uma configuração interelementar, uma junção cada vez mais ampla dos elementos terra, ar, água junto ao fogo inicial, de onde surgiu o pulso de vida. Vemos então que a geometria sagrada, a partir da qual os elementos da natureza surgem, se mesclam e se intercombinam a todo momento, em cada célula, para fazer surgir um humano, por exemplo. Da essência do ser, vinda da eternidade (no plano imaterial), surge o éter (no plano material), configurando o octaedro: duas pirâmides juntas na base, uma virada para cima e a outra de ponta cabeça, virada para baixo, um sólido de 8 lados. Do éter (ou essência de vida) surge uma ativação da dupla hélice de DNA, a chama sagrada que constitui a origem de uma nova vida em um corpo. O éter então anima o fogo a pulsar e existir, trazendo a partir do octaedro o tetraedro: um sólido que parece um humano sentado em posição de lótus, um sólido com seus 4 lados triangulares. Do fogo da semente de uma nova vida, surge um multiplicar dessa semente em muitas outras (na multiplicação celular), um agregar dos elementos água, terra e ar ao fogo inicial, definindo assim como se formará um novo corpo a partir da primeira célula. Ou seja, desse momento inicial, vemos os quatro elementos da astrologia surgirem como constituintes desse ser, uma combinação sempre única, mas que traz a chama da ancestralidade nos registros do DNA - afinal, é a partir do calor que emite um ser pulsante, que percebemos se ali há vida ou não.


A geometria dos 5 sólidos principais, pode ser chamada de sagrada por um motivo bem simples: a partir delas tudo surge, cada átomo, cada elemento químico e cada um dos elementos da natureza, cada ser vivo e cada componente da realidade concreta. Somos todos construtos vindos dos minerais da Terra, que por sua vez se constituiu em bilhões de anos, através dos elementos que vieram do espaço. A terra da Terra surgiu da colisão de outras rochas que flutuavam no espaço sideral, o fogo surgiu de tempestades solares, a água surgiu da colisão de cometas trazendo água congelada para este planeta e o ar, que constituiu a atmosfera, surgiu ao evaporar água alquimizada com elementos químicos, a partir da combinação incessante do elementos fogo, terra, água que estavam ali, se misturando no início da Terra - como um novo planeta do sistema solar. Eu sei que nós humanos nos achamos seres especiais e que somos a mais importante espécie deste planeta, mas isso não passa de ingenuidade nossa. Somos apenas uma espécie a mais, dentre todas as outras, as quais a Terra permitiu brotar dela e a partir dela, sabendo que iremos todos partir desse corpo um dia e toda a matéria orgânica que nos constituiu irá retornar para a origem: a Terra. Fomos constituindo nosso corpo desde a primeira célula, desde nossos ancestrais, a partir da incorporação de alimentos, líquidos, respiração, absorção de raios solares e combinação orgânica com outros seres - tudo e todos vindo de tudo aquilo que o planeta Terra produz, da natureza e dos elementos. Somos sim poeiras estelares, pois a Terra e tudo que a compõe se originou de elementos vindos do espaço sideral.


O fogo e o tetraedro -> um sólido de 4 lados triangulares: a posição de lótus 

A faísca divina, o corpo espiritual e as hélices de DNA, a vista como sentido

O fogo como elemento de vida pode inicialmente nos remeter ao sol e ao calor, e isso tem uma lógica, pois foi daí que surgiu o elemento fogo como um dos mais perigosos da Terra. O fogo é tão perigoso que tudo que ele toca simplesmente desaparece. É uma benção diária sermos todos protegidos de um desastre com o fogo e ainda assim usarmos ele todo tempo em muitos dos construtos humanos desde a mais remota existência na Terra. Mas o fogo é o elemento mais importante na combustão, na alquimia, seja na busca de construir objetos para facilitar a nossa vida, seja na nossa cozinha de todo dia: não temos como nos alimentar a cada 3 horas sem preparar comidas que foram levadas ao fogo e dessa forma se transformaram em alimentos prontos para serem digeridos da melhor forma pelo nosso corpo humano. Sim, o fogo é vida. E não só por nos trazer o alimento pronto e saboroso, mas porque ele foi o elemento no qual brotou a vida. Pulsamos por causa da força do fogo que ativa nosso coração e todo DNA que nos compõe, na pulsação do sangue e circulação de informações por entre as células. Na natureza é o mesmo. O sol nos traz calor e luz todo santo dia e alquimiza a existência com seus raios: nada sobrevive sem a luz solar neste planeta. Afinal, já reza a filosofia que o sol brilha para todos e é verdade. O tetraedro é o desenho geométrico do humano em posição de lótus, uma metáfora linda com o encontro consigo mesmo, com o retorno ao Self, que na astrologia nada mais é que o sol no mapa astral. Ironia da vida? Pode ser, mas na vida nada é por acaso, então o retorno ao centro é o retorno ao princípio da existência pessoal, ao pulsar do coração, ao honrar as informações do DNA recebidas por nossos ancestrais, ao honrar nosso eu mais profundo, a nossa chama divina e nosso pulso de vida. Tum-tum.


A terra e o hexaedro -> um sólido de 6 lados quadrados: o cubo

A cruz da realidade, o corpo físico e as estruturas, o tato como sentido


A terra é então o elemento que nos parece ser mais abundante, já que os minerais nas rochas são o que nos permite estar aqui, por compor cada célula em sua constituição concreta. Nos parece e é, o planeta Terra possui mais terra mesmo, mais minerais em rochas do que os outros elementos - embora muita gente ache que é a água, por causa das imagens vistas do espaço, mas a água só consegue estar nos pontos mais superficiais do planeta, mais ao centro temos somente terra e fogo combustos entre si. No corpo humano a terra é o próprio corpo, que se constitui em matéria palpável, é a nutrição de vida que permitiu o DNA se tornar o seu melhor, neste humano que somos nós. A parte terra do corpo (e de tudo que existe vivo neste mundo) é o único elemento que irá sobrar e permanecer mais tempo para se decompor com o partir da vida, que um dia o fez pulsar. Vai-se o éter (21g a menos, é o que perdemos ao falecer), vai-se o fogo (o coração para de pulsar), vai-se o ar (nosso pulmão para imediatamente de oxigenar as células), vai-se a água (esfriamos e ressecamos muito rapidamente) e então fica a terra. Em outras palavras, vai-se o éter e volta para a eternidade, vai-se o fogo e o DNA para de circular informações, vai-se o ar e ali para de ter uma mente pensante, vai-se a água e não há energia nem movimento naquele corpo inerte: fica somente a terra e sua estrutura. Sim, a terra é estrutura, é realidade, é concretude e é corpo. É a cruz da realidade e das 4 coordenadas principais dos eixos da Terra: norte, sul, leste, oeste. E o hexaedro possui na imagem do cubo 4 pontas, para nos guiar pela vida, assim como os pontos cardeais guiam os seres humanos nas navegações e trâmites planetários. É na terra que nos locomovemos e vivemos, que podemos usar nossos 5 sentidos e recebemos a vida em sua concretude.


O éter e o octaedro -> um sólido de 8 lados triangulares: as pirâmides 

A essência do ser, o corpo etéreo e a eternidade, o olfato como sentido


O éter é o elemento extra aqui nesta lista, o que extrapola a astrologia e seus elementos terrenais, aqui temos o quinto elemento, como constituição e conceito. Como conceito é mais fácil de compreender, já que podemos entender a vida em sua alegoria com a essência de uma flor, com seu perfume etéreo e seu aroma, com tudo aquilo que nos encanta em existir. É o elixir da vida: o perfume da pele de uma pessoa que amamos, é o aroma de uma comida, é o cheiro de terra úmida pela chuva, são as memórias de infância, que são evocadas por aromas, odores e cheiros - o quais são ativados ao nos aproximar de qualquer coisa no agora, que possua um aroma similar ao que esteve atrelado a uma experiência de outros tempos em nossa vida. O olfato é o sentido mais rico dentre todos os outros e o que tem a capacidade de guardar um leque mais amplo de informações sensório emocionais - muito da nossa psique individual pode ser desvendado só com o acesso aos odores e aromas de nossa vida. Mas o éter vai além, o éter fala de eternidade. Deve ser por isso que o olfato seja tão rico como sentido, talvez porque ele registra o eterno em nós, o eterno na vida. E aqui podemos entender que na existência o eterno é o que molda o corpo vivo, que o eterno é o que acessamos no sagrado e na sacralidade dos cristais, das pirâmides, dos templos. O eterno é o que parte quando a vida parte de um corpo: ali fica só o que é possível de se decompor, ficam só os outros 4 elementos. O que parte também é o que chega no começo de uma nova vida, em um DNA que foi despertado em uma célula-mãe, o que acorda uma semente a desabrochar como planta e depois como flor - nos presenteando com sua essência de existir: seu aroma.


A água e o dodecaedro -> um sólido de 12 pentágonos: a bola de futebol

A alma, o corpo emocional e os sistemas da vida, o paladar como sentido

A água é um elemento sagrado, não porque estamos falando de geometria sagrada, mas porque ela traz o divino para a vida, traz o mistério da vida, traz a combinação entre elementos químicos e o surgimento da matéria orgânica desde o princípio da Terra, como rocha flutuante no espaço. A água dilui, dissolve, mistura, absorve e é absorvida, a água é vida e é transbordamento de existir: nas emoções da vida transbordamos em alegria e tristeza ao deixar correrem as lágrimas, na natureza as emoções transbordam em chuvas, nas marés e correntes oceânicas, no fluxo dos rios e em tudo mais que contém e transborda a água. Água é emoção e, se estagna, ela apodrece. Sim, as emoções podem apodrecer a alma e o corpo, ao estagnarem a dor em matéria e então em doença. Assim como água estagnada na rua vira foco de mosquito, na terra vira lama, na natureza vira pântano. Mas não precisa ser sempre assim, podemos fluir em nossas emoções e nos deixar sermos atravessados pelas correntes emocionais momentâneas, sistêmicas e interpessoais, sem que com isso nos deixemos arrastar pela lama da densidade alheia. Podemos inclusive saborear a vida e digerir alimentos com ajuda da água do nosso corpo, que está aqui para isso: para limpar, dissolver, hidratar e fazer circular vida, nutrição, informação genética e soluções da própria sabedoria orgânica do corpo, de resolver tudo da melhor forma - que é expulsando o que não serve nos excrementos corpóreos. Nas emoções é do mesmo jeito, somos convocados a transbordar em lágrimas um momento de dor e deixar ir o que estiver estagnando nosso movimento de vida, para então deixar fluir a densidade e limpar nossa alma de tudo que nos impede de continuar saboreando a vida da melhor forma.


O ar e o icosaedro -> um sólido de 20 lados triangulares: a bola de basquete

A mente, o corpo intelectual e o sopro de vida, a audição como sentido


O ar nos permeia sem ser percebido, assim como o intelecto se constrói na vida por associação. Isso mesmo, respiramos uma associação de ares e filtramos só aqueles que nos ajudam a manter o corpo vivendo, o resto sai na expiração do mesmo jeito que entrou pela inspiração. Respiramos para viver, mas respiramos também para nos conectar, afinal é através do ar que o som se propaga e conseguimos ouvir com nossos ouvidos humanos. Ouvimos também com nossas crenças e referências internas daquilo que nos constitui psiquicamente, pois nossa mente contém um filtro de sistemas simbólicos próprios, que nos referenciam diante da vida e foram construídos na infância, se mantendo na existência particular por todo seu caminhar. Mas podemos também nos lapidar, ao nos permitirmos fazer novas rotas cerebrais (em novas conexões interneuronais) e em nossos passos, a cada novo circuito de vida, a cada nova experiência e novas vivências: possuímos uma neuroplasticidade quase infinita, se nos permitirmos abrir nossa mente a novas ideias, novos sons e novas percepções da existência. As crenças, que um dia foram definidoras de nossa percepção da vida, podem muito bem circularem a cada nova corrente de ar, com o passar de uma ventania que sacode tudo. Podemos também atravessar um furacão, um tornado em que um turbilhão de novas percepções são ativadas e despertadas na consciência como aprendizados. Há tempos que vem assim, rodeando no ar tudo que achamos ser fixo ou definido, mas que não passam de meros contornos pessoais de vida, que passam e se refazem, deixando um novo sopro e alento para nosso caminhar.

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

AS ESTAÇÕES DO ANO E A EXPERIMENTAÇÃO DO SER

Os estágios de maturação dos ciclos da vida

Quando pensamos em astrologia, logo imaginamos que os signos estão correlacionados às constelações siderais, as quais deram origem há milhares de anos aos signos por estarem pareados no céu com as estações do ano. Apesar dessa percepção ser a mais corriqueira, este é um engano do pensamento leigo, pois os signos estão na verdade relacionados às estações do ano e seus processos, enquanto as constelações se dissociaram dos signos ao se moverem pelo espaço sideral - na precessão dos equinócios ao longo de centenas de milhares de anos. É por isso que existe uma grande diferença entre a astrologia tropical, que trabalha com a construção dos signos vinculados às estações do ano e a astrologia sideral, que considera o céu no espaço por si mesmo, em suas posições de planetas e constelações como são, ao se moverem pelo espaço sideral. E é aqui que surge um grande salto de consciência para quem começa a estudar a astrologia como ela é usada e difundida hoje em dia: usamos e estudamos a astrologia tropical e sua associação com as estações do ano, a qual divide igualmente cada um dos 12 signos do zodíaco em 30 graus cada, formando e fechando assim a mandala exatamente nos 360 graus.


A mandala astrológica então é dividida em quadro etapas de construção da realidade, equivalentes a cada uma das quatro estações do ano e sua maturação da natureza. Esse processo está impregnado na natureza, mas corresponde a algo muito além e que faz referência à experimentação e aos estágios de maturação da existência, seja em níveis naturais e na dinâmica dos 4 elementos, seja na experiência humana e suas possibilidades de desenvolvimento. Aqui vemos a associação entre primavera e a expressão, entre verão e a experimentação, entre outono e a integração e, por fim, entre o inverno e a transcendência - até recomeçar tudo novamente do zero: estações climáticas e processos de vida. Se podemos perceber que os ciclos de desenvolvimento do clima seguem a cada estágio anual um processo de surgimento, ápice, declínio e dormência, podemos igualmente observar que os signos traçam no céu esse mesmo passo a passo, nos presenteando com símbolos próprios a cada nível interno de maturação das estações e a cada mudança de estação, nos equinócios e solstícios. São processos que transbordam a vivência da natureza como ela é e que são para além do humano, mas que chegam como referência e alegoria de como entender a vida e seus estágios universais de maturação da existência. Natureza e vida humana são basicamente duas formas similares de a vida transbordar em experimentação do ser.


Primavera - Áries, Touro, Gêmeos: expressão

Quando o ser brota para o mundo em todo seu potencial

Aqui surgem o equinócio de primavera, o grau zero do signo de Áries e o surgimento de um novo processo na existência. São todos uma forma de a vida começar e se expressar, sair do seu estágio de dormência e acordar para o mundo. Na natureza surgem os primeiros brotos, as primeiras flores e na vida humana equivale à infância e sua forma pura e expressiva de existir. Neste ponto a vida se expressa, sai da semente e surge como entidade independente daquilo que veio antes e a permitiu surgir. O solo está fértil após um longo inverno em que houve um nutrir da base onde a natureza ressurge, a dormência serve justo a isso, para nutrir o solo e prepará-lo para um novo semear e para um novo recomeço de tudo. No signo de Áries a vida surge e segue rápido, um rompante de afirmação, força de vida e expressão de existir. Quando a natureza chega no signo de Touro já vemos o estágio mais pulsante da estação, no qual as flores tomam conta e espalham fertilidade aos quatro cantos. Aliás, não só fertilidade mas beleza, encanto e cores, como um convite a novamente sairmos de casa, passearmos pelas ruas e apreciarmos a natureza e seu acordar da vida - com a temperatura mais amena e agradável, uma vontade renovada surge de acolher as novas possibilidades de estar no mundo. Quando chegamos ao signo de Gêmeos o calor já está mais forte, porém instável, com chuvas e ventos, as flores já são menos abundantes, mas aqui neste estágio existem muitas trocas e muito movimento pelas ruas: é tempo de compartilhar com o outro tudo o que plantamos e colhemos nos últimos meses produtivos da primavera. Neste ponto do ano foi quando surgiu o escambo e posteriormente as vendas de alimentos e artigos desenvolvidos por cada família, ao partilhar pelos povoados as suas melhores ofertas.


Verão - Câncer, Leão, Virgem: experimentação 

Quando surgem os desafios e conquistas externas ao ser

Entramos aqui no verão, a partir do solstício de verão (o dia mais longo do ano) e o início do signo de Câncer. Na vida corresponde ao estágio mais pulsante, em que ousamos viver e experimentar as múltiplas possibilidades de existir: no desenvolvimento humano equivale à adolescência e suas experimentações típicas. Muito embora, no momento em que o signo de Câncer está no céu, vemos um nível mais introspectivo e enraizado na estrutura familiar de se viver esta experimentação da vida. Aqui é quando curtimos a calor crescente e as chuvas de verão, e também quando aproveitamos o nosso lar e o entorno familiar para além das bordas da casa - é quando curtimos o jardim e a horta, o gato e o cachorro, o passeio no bosque com familiares e um banho de chuva refrescante, quando tomamos banho no lago, rio ou piscina, andamos de bicicleta e nos reunimos para um jantar a luz de velas e do luar. No alto verão, o sol já está escaldante e vivemos o signo de Leão, imponente e exibido, vestimos (muito) menos roupas e curtimos os acessórios: chapéus, óculos escuros, colares e bolsas. É tempo de curtir os passeios que saem do circuito familiar e buscamos nos exibir em festas, cinema, bares e encontros. Quando chega o signo de Virgem já estamos um tanto cansados daquele calorão e da curtição, é tempo de organizar a vida de novo para a chegada da nova estação e para quando for hora de focar em estar em lugares fechados ao abrigo do frio. Ainda está quente, mas já sentimos um ventinho fresco e uma noite mais amena de novo, nos convidando a preparar compotas e reunir ervas, guardar reservas de comida para o frio e deixar a casa bem limpa e organizada de novo.


Outono - Libra, Escorpião, Sagitário: integração 

Quando os aprendizados são assimilados no interno do ser

Entramos no outono e vivemos o equinócio de outono como um momento de retorno ao lar e integração de tudo que foi vivido nos últimos meses - no desenvolvimento humano corresponde à adultez: a vida adulta com suas responsabilidades e assentamento de vivências. Toda aquela vida pulsante começa a pedir abrigo interno e trazer para dentro a assimilação e assentamento da alma junto ao entorno que pede calma. O signo de Libra surge como moderação de tudo, pé no freio da vida e ponderação de cada ato, passo e gesto: é a vida mediando o eu e o tu com justa medida. Aqui nada se excede, nada se transborda e tudo se releva, o meio termo está sempre no meio. Mas quando quem surge é o signo de Escorpião, não há tanto jeito ao lidar com o outro, mas há muito mais desejo e profundidade, mais impulso e mergulho em como tudo é por dentro, nas entranhas de existir. Neste estágio o assentamento da alma é muito mais psíquico e menos social, por vezes sombrio e cheio de silêncios, assim como é na natureza: percebemos uma névoa sempre no ar, um silêncio de existir e um aprofundamento na própria terra, em querer se recolher, após a colheita final dos frutos e sementes para os meses que virão. A terra aqui vai aos poucos se encolhendo e deixando um tom mais tenebroso no ar - é a chegada do frio e seus assombros. Em Sagitário vemos um signo que busca integrar a vida de um forma mais impessoal e metafísica, busca entender de filosofia, religião e geopolítica, busca sair dos confins da mente como recanto e extrapolar em aprendizados mais amplos, sobre como é viver e sobre o porquê de tudo ser como é. Neste ponto, a compreensão da vida se torna mais sistêmica e por vezes intelectual demais, afinal temos que juntar nossa energia de novo em nosso eu, mas dessa vez para integrar tudo que foi vivido na exuberância de existir até aqui.


Inverno - Capricórnio, Aquário, Peixes: transcendência 

Quando se conclui um aprendizado e o ser se prepara para recomeçar 

O solstício de inverno chega cheio de festas e comemorações - antigamente se comemorava a fartura do ano nas festas da Saturnália, assim como em outras festas nos dias que circundam o solstício. Este ponto da vida corresponde à velhice, como estágio final do desenvolvimento humano e uma forma de comemorar tudo que foi vivido até aqui. O ciclo anual anuncia um fim e um começo: é a noite mais longa do ano, mas é a partir daí que a luz começa a retornar, só há motivos para comemorar. O inverno pode ser severo, mas a esperança de um novo começo é mais e a vida segue com recolhimento, junto da natureza que adormece e se recolhe para nutrir o solo para um futuro semear. Em Capricórnio sentimos a chegada de um signo de frieza e cálculo do que é cada coisa, sentimos uma necessidade de fazer o saldo do ano e às vezes da vida, com um tom muito soturno e frio de medir cada conquista - aqui a alma se assemelha à natureza e pede um certo ceticismo, um certo conservadorismo. Quando chega o signo de Aquário já começamos a sair dessa postura e entendemos que precisamos juntar forças para, unidos, seguirmos mais fortes. Já começa a se pensar no futuro e como será de novo o recomeço de tudo, como a natureza irá daqui a pouco nos puxar de novo para renascer, crescer e viver a vida pulsante e rica novamente. Começamos então a sonhar, já que é a chegada do signo de Peixes, além de reunir os peixes que sobraram do inverno e qualquer pouca coisa que estava no estoque para alimentar a todos igualmente. Existe mais restrição e união, mais preces e esperança de um amanhã melhor, mas existe também uma sensação de fim: dos alimentos, da fartura, do inverno. Aqui a esperança anuncia a chegada (em breve) da boa nova e de um novo ciclo da vida. Amém.

terça-feira, 3 de novembro de 2026

AS CASAS ASTROLÓGICAS DO MAPA ASTRAL

Casas: a parte mais concreta e contextual do mapa

Na leitura de mapa astral, em algum momento nos deparamos com as casas astrológicas ao observarmos a mandala do mapa, porém nem sempre percebemos qual nível de compreensão elas trazem para a leitura. Neste ponto, é importante diferenciarmos a atuação simbólica das diversas camadas e níveis de construção dos símbolos do céu retratados ali no mapa astral: os signos trazem informações diferentes das dos planetas, que por sua vez se diferem das informações trazidas pelas casas. Afinal, ao afunilarmos nosso olhar do céu para a Terra e para onde estamos, podemos perceber que os signos e constelações estão além (por fora, mais distantes e externos) ao sistema solar, por sua vez os planetas no sistema solar estão externos à Terra, que por sua vez possui ao redor do globo eu e você morando em cada coordenada geográfica. Somos nós que observamos o céu de onde estamos e, nessa observação, desenhamos este céu visto no aqui-agora da localidade onde nos encontramos (com as coordenadas geográficas locais). Por fim, temos o desenho do mapa astral desse espaço-tempo. É por isso que para se fazer um mapa, precisamos de dia, mês, ano, hora exata e local onde ocorreu um fenômeno a ser observado através da leitura de mapa astral. A leitura do mapa é então uma síntese de todos esses pontos ali desenhados, uma síntese de cada ponto do céu, que está discriminado separadamente na figura do mapa.

Casas, planetas e signos: quanto mais distante mais sutil

Para fins de aprofundarmos essa compreensão, é importante entendermos que a lógica astrológica segue a linha de que, quanto mais distante no céu, mais sutil e subliminar é sua atuação, porém, quanto mais próximo da terra onde pisamos, mais concreto e palpável é a sua atuação na vida. Nessa linha, vemos que os signos estão ocupando um setor mais distanciado e cíclico do céu (ligados às estações do ano) e atuam em uma escala mais sutil, arquetípica e mental na astrologia. Funcionam como um sistema simbólico universal, no qual todos os 12 signos estão sendo configurados em posições específicas do mapa, considerando o ascendente o início da roda astrológica. Apesar de termos todos os signos configurados na leitura do mapa astral, somente aqueles que estão sendo ativados pelos eixos e por planetas localizados em signos específicos, é que estão em maior atuação dentro do contexto desse céu (desse mapa astral). Em uma camada mais próxima de nós, está a configuração dos planetas no sistema solar, que pontuam um campo mais energético, anímico e personificam atuações mais humanas, se considerarmos cada planeta junto aos seus arquétipos correlacionados na mitologia greco-romana. Neste ponto, vemos cada configuração planetária desse céu ali sinalizando quais conexões são estabelecidas entre esses traços anímicos entre si (as configurações entre os planetas), que qualificam os traços de personalidade particulares deste mapa astral. E por fim vemos as casas, que estão correlacionadas com espaços físicos e nichos da realidade mais mundanos e concretos, são os temas de vida particulares da realidade prática.


As coordenadas geográficas: o espaço-tempo local no globo terrestre

Em síntese, podemos entender que, na mandala, os signos ocupam o plano sutil, mental e metafísico do mapa astral, que a configuração entre planetas sinalizam o plano energético, emocional e anímico ali referenciado no mapa, as casas então nos trazem os pontos mais mundanos, materiais e físicos da mandala astrológica, são os temas da vida prática. Com isso, cada casa nos apresenta uma parcela da realidade com a qual temos que lidar cotidianamente e, se estão sendo ativadas por planetas em seus signos no mapa, essas casas e esses temas tornam-se mais que relevantes para a configuração geral de vida de quem o possui. Se for um mapa natal de uma pessoa, as casas ocupadas por planetas sinalizam temas de vida atuantes, relevantes e pulsantes na vida dessa pessoa. Isso ocorre porque as casas estão referenciadas ao planeta Terra e sua configuração no mapa astral está vinculada às coordenadas geográficas de cada lugar, o que puxa esses temas para o terreno, para o concreto e para a realidade. Ou seja, as casas astrais são posicionadas no mapa de acordo com a hora e local que um fenômeno aconteceu em um ponto específico da Terra e assim qual céu estava sendo visto dali naquele espaço-tempo. Pois, a cada aqui-agora, o céu (que está configurado no espaço sideral exterior à Terra) está sendo visualizado em cada ponto do planeta Terra de forma diferente.


Espaço-tempo: em cada agora vivemos contextos diferentes ao redor do globo


Cada agora da existência está acontecendo em momentos diferentes no correr do dia de acordo com cada localidade do planeta. Por exemplo, eu estou aqui neste momento no Brasil e é de tarde (o sol então está no 3º quadrante de casas do mapa, quadrante referente à tarde), uma pessoa vivendo este mesmo agora lá na ilha de Galápagos está vivendo a manhã (com sol no 4º quadrante de casas, referente à manhã no mapa), uma outra pessoa no Japão está dormindo neste agora durante a madrugada (com o sol no 1º quadrante de casas, o quadrante que se refere à madrugada), já uma outra que está no Egito agora está curtindo a noite (com o sol no 2º quadrante de casas, o que se refere à noite). E essa diferença de horário entre uma localidade e outra modifica a posição de eixos e casas no mapa astral, assim modificando onde e como cada tema da vida se configura ali diante daquele céu. Por isso também que, em um mesmo agora ao redor do mundo, temas diferentes da vida são vividos e ativados, já que os planetas estão ocupando casas (temas) diferentes da vida no mesmo agora, dependendo de cada coordenada geográfica - afinal, a cada turno do dia somos convocados pela a vida a viver temas diferentes e de acordo com o turno, concorda?


Os temas universais de cada casa astrológica:


Casa 1: a porta de entrada da casa e a fachada

Como se configura a nossa imagem externa, projetada


Aqui adentramos o mapa, é o marco zero e começo do 1º quadrante (o que corresponde à internalização do eu para si mesmo): no céu é o horizonte leste, onde nasce o sol e dá-se início a um novo dia. Esta é a porta de entrada para a vida, já que este ponto sinaliza o parto, a primeira respiração do ser humano ou o marco zero de alguma coisa que surge no mundo. A partir daqui, o mapa nasce e se expõe. Por isso que é a fachada da casa, é a imagem externa, a identidade, o visual projetado para ser visto por fora ou como deseja ser visto e interpretado como persona para o mundo. Aqui trazemos o melhor do signo e planetas (se tiver algum) localizados neste ponto do mapa. Por estar ligada ao parto e ao surgimento da vida individual, está também relacionada ao corpo físico, à concretude do corpo e aos trejeitos. O rosto, a pele, as linhas do corpo e o movimento estão todos retratados nos símbolos localizados aqui no mapa astral. Para além disso, aqui é um setor de autonomia e autenticidade, de projeção e exposição. Este é um local de corpo, iniciativa e projeção física do mapa.


Casa 2: a abundância de objetos e os recursos guardados ali

O quanto de recursos materiais e talentos temos guardados


Aqui se apresenta a riqueza do mapa, é onde guardamos nossos melhores recursos e onde temos uma reserva de habilidades para serem despertadas e utilizadas no decorrer da vida. Neste ponto, podemos ser gulosos ou propensos a excessos, já que o que ganhamos, compramos ou guardamos pode se tornar um vício por acúmulo, um exagero de soberba. Esta casa (se bem ativada) também nos permite nos acalmar, pois existe aqui um grau de segurança que as posses representam na vida, deixando uma sensação que “vai dar tudo certo”, caso estivermos preenchidos de uma boa reserva material e financeira. Por outro lado, vemos que recursos imateriais podem se expressar como talentos e capacidades de nos desenvolver no mundo, construindo assim uma vida mais próspera com o passar do tempo. Aqui é um setor de sedimentação de acúmulos materiais e de possibilidades de desenvolvimento de tudo aquilo que possuímos como ferramentas de vida. Este é um local de recursos e abundância do mapa.


Casa 3: as portas, janelas, corredores e biblioteca

Os canais de comunicação e circulação com o entorno, aprendizados


Neste setor do mapa é onde nos articulamos na vida, nosso jeito de nos comunicar e como interagimos com o entorno, com a vizinhança, com familiares e pessoas da convivência diária. Neste ponto saímos a pé ou circulamos nossa energia ao redor, nas atividades de todo dia e na movimentação rotineira: comprar pão na padaria, ir ao supermercado, visitar alguém próximo, nos locomover em transportes, nosso local de trabalho, academia, parque, restaurantes e bares, etc. Aqui mostra nossa fala menos profunda e mais corriqueira, o tipo de bate-papo e conversa jogada fora. Quando excessiva ou negativamente ativada, aqui indica as fofocas sobre a vida alheia, os juízos de valor superficiais e distorcidos, a circulação de informações íntimas que saíram do circuito familiar e caíram na língua maliciosa do povo do entorno. Neste ponto também temos as artes da palavra e da escrita, do ensino e aprendizado, da articulação verbal e os dons da voz. Este é um local de troca, fala e movimento do mapa.


Casa 4: o terreno onde foi construída

O enraizamento do ser, a psique individual e suas origens estruturais

Aqui vemos o local mais baixo do mapa e por isso equivale ao enraizamento e alicerces, em qualquer nicho da vida, mas em especial e principalmente, o enraizamento familiar - é o início do 2º quadrante do mapa, o quadrante da internalização do outro no eu. No céu é o ponto do sol da meia-noite, o ponto de maior invisibilidade solar. Na vida, pode representar a mãe e o pai, ou a mãe ou o pai (dependendo de algumas correntes de pensamento astrológicas, isso pode variar), mas inegavelmente aqui se encontra a origem familiar. Além de trazer a pessoa do pai e da mãe em si, aqui fala do campo de ressonância familiar e o que foi ofertado de experiências na infância: é tudo aquilo que fica marcado no desenvolvimento inconsciente particular e sistêmico a ser trabalhado ao longo da vida. Neste ponto vale a frase memorável e sábia “a infância é o terreno onde pisamos a vida inteira”. Os símbolos aqui apresentados definem (como alicerces de uma construção) como o mapa e a pessoa que o possui se sustentará ao longo da vida, em sua psique. Este é um local de arcabouço emocional e de onde tudo surge e para onde tudo retorna, é começo e fim de vida.


Casa 5: o jardim, o pátio, a piscina, brinquedoteca, sala de jogos

Os pontos de lazer, criatividade, romance: a criação e recriação de si mesmo


Neste ponto vemos tudo aquilo que transborda os afazeres rotineiros ou obrigatórios: aqui é desconstrução de padrões e criação de novos, que estão para além do previsível. Aqui é extravasamento de existir, ao se recriar a própria personalidade, que se diverge de tudo aquilo que foi recebido e ensinado no âmbito dos rigores socioculturais. Este ponto nos evidencia o ego e o Self, a construção do ego como estrutura do eu, mas que pode muito bem estar para além do ego mundano - quando se encontra e retorna a si mesmo, ao estar em eixo no próprio Self. Aqui o eu brinca de existir e se diverte com a vida e em cada momento. Quando bem ativada, esta casa apresenta os símbolos de expressão criativa, cultural, artística e expressa a personalidade. Apresenta também a criação dos filhos como uma extensão dos melhores atributos do eu. Neste setor o prazer pode extrapolar o limite do razoável e virar vícios, mas pode também se tornar uma forma mais rica de viver e existir, de entender a vida e participar dela com alegria. Este é um local de diversão e descoberta de si mesmo, ao se extravasar o eu nas habilidades artísticas pessoais.


Casa 6: a cozinha e área de serviço, os fundos da casa

A rotina e a vida prática, onde e como fazemos acontecer


Aqui vemos a rotina e a capacidade de resolver perrengues, consertar defeitos na realidade prática e de desenvolver uma rotina mais funcional. Dessa forma, se lapida tudo que pertence à construção da vivência rotineira, desenvolvendo rituais que estabilizam a mente e facilitam o correr das atividades diárias: se alimentar, dormir, cozinhar, limpar a casa, lavar roupas, tomar banho, frequentar o banheiro, fazer compras de casa, ir ao supermercado, chamar pessoas para consertar objetos, fazer atividades físicas, ir em visitas ao médico e profissionais da saúde etc etc etc. Aqui vemos a vida se construir em pequenos movimentos diários, que sustentam a sobrevivência, que parecem pequenos e insignificantes, porém e por fim são de suma importância e sustentam toda a estrutura de vida, na rotina e nos cuidados com o corpo e saúde pessoal. Este é um local de higiene, alimentação, rotina e saúde, de tudo que mantém a vida funcionando.


Cada 7: a sala de jantar e sua grande mesa posta

Como recepcionamos (da melhor forma) o outro em nossa vida


Neste ponto começamos a sair do nosso eu e da parte mais internalizada do mapa e saímos ao encontro do outro e do mundo, de tudo que externaliza o indivíduo: é o início do 3º quadrante do mapa e corresponde ao outro externo ao eu, ao outro por si mesmo. Aqui é onde fica (no céu) o sol poente e onde na vida recepcionamos as pessoas com as quais temos uma relação de diálogo, parceria e olho no olho, e tendemos a ofertar nossa melhor versão neste encontro. Neste setor de parceria, vemos os vínculos de união afetiva e fraterna, profissionais e amistosas, mas que em suma representam pessoas (em suas individualidades) com as quais nos relacionamos, trocamos parcerias e também contratos, ao fazemos acordos de boa convivência. O casamento é a melhor expressão disso, unindo parceria, afeto, contrato e acordo em uma só pessoa. Por isso aqui também se personifica como são as pessoas com as quais nos associamos na vida, qual o perfil delineado em nossos mais relevantes parceiros. Este é um local de moderação do eu ao encontrar o outro, ofertando a melhor versão de ambos neste encontro.


Casa 8: o quarto do casal e os outros quartos

A intimidade e os espaços de introspecção ou conexão com o interno de nós


Este setor nos fala do momento de intimidade e conexão com o outro. Quando saímos da superficialidade do encontro social ou contrato de união e partimos para a vida mais íntima, mais verdadeira e mais profunda: aqui é o encontro entre a psique individual e a psique do outro. Está também relacionada ao sexo, como ato mais íntimo entre dois seres humanos, mas pode muito bem significar a química pessoal de um encontro de almas. Aqui neste ponto, nós nos vemos vivenciando uma troca profunda e doando e recebendo nossas versões mais íntimas e (às vezes) sombrias. Nossas dores e delícias, nossas virtudes e vicissitudes, nossa luz e nossas sombras. Aqui é profundidade do encontro e da química entre duas psiques individuais, que constroem uma nova, um novo campo energético pertencente ao encontro. Este é um local de mergulho do eu com o outro, no qual se emerge um novo eu, mais rico e transformado.


Casa 9: a sala de visita ou local de recepção

A troca com o que vem de fora e nos traz boas novas


Aqui vemos um mundo se expandindo, ou melhor, o próprio mundo se expandindo: aqui é saber e sabedoria, é conhecimento e abstração, é sair de si para aprender a falar a língua do outro, a língua do mundo. Neste ponto vemos o crescimento e expansão da mente em recursos e habilidades metafísicas, em capacitações de se articular com o estrangeiro, seja de fora das bordas do país de origem, seja o que é estranho ao nosso mundinho conhecido de origem familiar. Neste setor vemos a vontade individual de ser uma versão melhor a cada dia, ao expandir a mente em ensino superior, em estudos universitários e em viagens para fora do país. Se bem ativado, este setor é pé no mundo, é mochila nas costas e receptividade de abraçar o outro que tem sua origem diferente da própria: em línguas, traços físicos, culturas, hábitos e geografias diversas. Em sua versão mais negativa, vemos a religiosidade distorcida, os dogmas e moralismos repressores da sociedade. Este é um local onde o estrangeiro encontra casa no mundo particular do eu.


Casa 10: o andar superior e o telhado (o que fica mais alto)

O que está acima, tudo aquilo que almejamos alcançar e fica às vistas do mundo


Este é um setor muito voltado para as conquistas do mundo, para a reputação e para a marca no qual se pode deixar como carreira e percurso de vida - é o início do 4º quadrante do mapa, aquele que representa o mundo e o coletivo externo ao eu. No céu este ponto sinaliza o zênite, o sol a pino, o meio-dia e o ponto de maior força e visibilidade solar. Na vida é neste ponto que vemos o olhar para o mundo como ele é, com suas hierarquias, como uma estrutura de escalada social rumo ao topo da escala de valores: sempre segundo uma lógica bem conservadora e limitante, de entender a vida e a organização sociocultural. Neste ponto é onde e como queremos deixar nossa melhor marca no mundo, aqui se personifica os símbolos que definem qual reputação deixamos em nossa caminhada de vida e através da carreira (ou da ausência dela). Aqui temos o olhar do eu para o mundo e o olhar do mundo para o eu, com seus rigores, limites e preconceitos, e é por isso mesmo que os símbolos aqui assinalados traçam como deixamos nossa marca no mundo, na intenção de deixar a melhor marca, nossa melhor versão. Este é um local aparências e de busca por honrarias, dentro do sistema-mundo como ele é, com suas hierarquias e escalada pelo poder.


Casa 11: o escritório, gabinete e sala de televisão

Como socializamos e construímos nossa rede de contatos ou comunidade


Aqui vemos o mundo como caldo cultural, como sociedade e coletivo, como um sistema de conhecimentos compartilhados e busca por evolução, progresso, superação. Neste ponto queremos mais do mundo, queremos mais que comida, queremos diversão e arte. Queremos ver no mundo uma versão prometeica da humanidade, uma versão que transcende o atual e transcende em muito o conservadorismo, a estratificação social e as hierarquias: aqui somos todos iguais e podemos todos chegar ao topo. Mas não pensamos a vida como uma expressão da nossa individualidade e sim uma expressão do humano que está aqui no eu, em sua melhor versão, um coletivo de indivíduos que juntos são mais fortes, por estarem juntos. Aqui podemos ver, na versão negativa, o movimento de manada, mas podemos ver, na versão positiva, os movimentos sociais que transcendem o tempo, transcendem as limitações de seu tempo e suas regras: aqui entendemos liberdade, igualdade e fraternidade como um direito de todos. Este local é de visão de futuro e transcendência dos limites coletivos do agora.


Casa 12: o banheiro, sótão e porão

Os pontos de exclusão, isolamento de tudo que nos constrange ou transcende 

Chegamos ao último ponto do zodíaco, aquele que se refere ao estágio final da gestação e que antecede e precipita o parto humano. Por isso mesmo que ele fala de um tempo antes e para além da matéria, fala do sono e dos sonhos, da metafísica da vida e sua amplitude de existência. Quando este setor está muito ativado, podemos ter um acesso direto ao mundo extra físico, além matéria, com as entidades espirituais não corporificadas e com tudo que compõe esse mundo das dimensões mais sutis que a matéria. Em sua versão negativa, temos aqui a perda o eu, a desconstrução do ego como individualidade do eu e porção da psique que nos mantém sãos, temos os vícios e dependências de qualquer espécie, como consequência dessa perda de si, do próprio eixo. Em sua melhor versão temos os telepatas, os artistas e músicos, os espiritualistas não religiosos, temos as pessoas que recebem e canalizam informações etéreas, do além mundo para benefício do mundo e de todos nós: são os despertadores de consciência coletiva e individual. Este é um local de transcendência do eu, de perda dos limites do ego ou de encontro do eu com sua versão mais espiritual e menos física.