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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

ALGUMAS REFLEXÕES PROFUNDAS (posts antigos do Instagram)

Um dos maiores desafios para a consciência é entender que a vida possui um movimento pendular, parecido com as ondas do mar. Todo puxão para trás traz um inevitável preencher do vazio, sempre equivalente ao que não está mais lá. Como se (em cada momento) a vida precisasse circular energia e estar sempre esvaziando e enchendo os espaços da existência. Inspira, expira. Puxa e solta. Contrai e expande. Se vemos a natureza fluir nesse ritmo, por que é tão difícil aceitar que nossa vida também segue esse movimento? Choramos as dores da ausência como se nada fosse jamais nos preencher novamente. Mas não é assim. Saber fluir nas correntezas da vida exige de nós nos deixar levar... nos permitir ser fluxo e ir escorrendo como água ladeira abaixo [sem medo de nos despedaçar]. Toda experiência nos preenche de saber e uma perda aqui retorna como ganho ali. Um fruto que apodrece traz uma planta que brota. Uma pessoa que parte traz uma outra que nasce. Uma dor que nos abala traz uma benção que nos restaura. Não podemos estocar nem a alegria nem a tristeza. Assim como não podemos estocar no peito o ar para uma vida inteira {nem segurar as ondas do mar}, aprendemos a deixar ir tudo que não for mais para ficar.


Pensamentos à deriva 🎈


Lua Balsâmica traz um fim, Lua Nova um novo começo


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É muito importante olhar para os acontecimentos atuais com o olhar de aprendiz. Prestar atenção em como a vida funciona hoje: parece que nada mais acontece da mesma forma, nem as pessoas são mais as mesmas. Num piscar de olhos, o mundo mudou (e não vai voltar ao que era), não importa a nossa necessidade de negação neste momento. A vida não será igual, porque nós não seremos iguais. Estar atento ao novo mundo nos permite seguir sem cambalear tanto, nessa estrada nova que é viver. Prestemos atenção às condições de cada coisa, ao movimento das pessoas e aos acontecimentos. Tomemos nota de que não demora muito para os efeitos de cada gesto virem imediatamente na realidade [o instant karma]. Será mais fácil aprender assim. A reação a cada ação vem tão logo, que será impossível não perceber a ligação entre o que fazemos e como vivemos. Será cada vez mais fácil se lapidar, para quem quer se lapidar. Se corrigir, para quem é humilde o suficiente de reconhecer o próprio erro e pedir perdão em tempo. Porque o tempo passa cada vez mais rápido e às vezes perdemos a chance de viver melhor e amar melhor, se não nos corrigimos pelo caminho... e cada encontro pode virar um desencontro. Este tempo é um tempo precioso. Vivemos a própria semente do futuro e construímos esse futuro, mesmo sem saber como fazer. Mas se mudamos nosso olhar, podemos ser mais felizes e aprendizes a tempo para esse novo tempo {que já começou}.


pensamentos à deriva 🎈


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É estranho o quanto somos capazes de entender melhor a vida quando estamos diante da perda da vida. Há tanto mistério por trás do movimento que mantém um ser pulsando, que nos perguntamos: o que cessa ali quando deixa de pulsar? Como uma folha que seca, cessa a matéria... e da matéria de onde se constituiu um ser pulsante, volta a ser somente matéria. O pulso (que é a vida) vibra em outra dimensão e segue vendo a realidade de um outro jeito. Segue liberto de estar vendo só o que é matéria e adentra um caminho de clareza e iluminação. Mas ver a vida de um outro jeito pode ser vivido também em vida. A compreensão desse pulso nos permite entender que a vida se regenera sem fim: a matéria só está aqui à serviço do que nosso coração pulsa. Iluminar a consciência em vida é saber que a vida não cessa mesmo que o pulso não pulse. É perceber camadas finas que moldam a matéria [e que dão sentido à vida], mesmo quando estamos diante da não-vida. Não há fim para a fina camada que molda uma vida e não há perdas quando perdemos uma vida {mas perdemos vida quando não entendemos a perda}.


Lua Cheia da Iluminação de Buda | Festival de Wesak


(10 dias da partida do meu pai desta vida para um plano mais sutil de existência 🙏🏻❤)


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#conselhododia

• Por Clarissa Maia

[Sexta, 26 jan 2024]

O dia chega ainda bem preenchido pela exuberância dessa Lua Cheia, em um clima que vai se tornando bastante carnavalesco, festivo e extravagante. No céu vemos a Lua enorme, que camufla o que se esconde por trás dela, indicando que aqui na Terra há muita coisa camuflada também. Podemos entrar no clima de festa e de bailes, vestir fantasias e soltar confetes. Podemos brincar, dançar e cantar, namorar e ser feliz. Podemos nos permitir esquecer de tudo por um tempo, esquecer das dores, das lágrimas e dos calos. Mas o que não podemos é nos enganar e esquecer de que esse tempo vai passar e teremos que olhar novamente para tudo que se esconde por trás do brilho da Lua, por trás das purpurinas e paetês. O mundo da fantasia e das máscaras é apenas uma breve alegoria da vida real, um teatro escancarado e assumido do teatro da vida. Nos permitir cair no baile é mais do que brincar de carnaval, é nos permitir entender que viver é exatamente isso: participar do mundo através de uma personagem que mais nos afinamos, mas que ao fim do dia precisamos voltar para casa, tirar a máscara e tomar um banho de verdade. Um banho de encontro com nosso próprio Eu, com nossa essência e humanidade. Saber que esse é o jogo da vida e não nos deixar enganar pelas máscaras (nem as nossas nem as dos outros), nos permite brincar mais livres, nesse mundo que é um baile de fantasias.🎭🎊 


Bom dia 🧘🏻‍♀️


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Chegamos (finalmente) aos momentos finais do ano mais desafiador de todos os tempos. Um ano que nos obrigou a abandonar nosso olhar do eu para o mundo e ser capaz de olhar do mundo para o eu. Somos enfim um grão de areia no infinito da vida. Somos tão frágeis que podemos em instantes ser banidos da face da Terra, se assim ela quiser. Um tsunami, um terremoto, vulcões, tornados, inundações, queimadas.. guerras, explosões, pan|epidemias... tudo nos mostra o quão frágeis somos e o quão presunçosos somos de acreditar que estamos no comando. Meu avô dizia que para morrer, basta estar vivo. E eu digo que para viver de verdade, é preciso morrer de vez em quando. Sentir o risco da morte traz mais vida à nossa vida e nos permite banir o que não importa em nossa existência. Deixar ir os acessórios que só enfeitam e "defeitam" nossa essência. Chegamos então ao fim do ano mais importante de todos os tempos para a evolução humana, porque sem purgação e sem reflexão não podemos seguir avançando. Sem encarar a morte, em risco e realidade, não podemos seguir gerando vida. Para quem se foi, fica nosso agradecimento por terem feito tanto. Para quem fica, fica a força de continuar lutando. Um novo ano chega e a esperança se renova.

Que 2021 já traga sinais do novo tempo.


 🙏🏻🤞🏻

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

A METAMORFOSE DO EU NA EXPERIÊNCIA PLUTONIANA

(e a descoberta do Self)

Um dos pontos mais desafiadores para a consciência encarnada em sua trajetória de vida, é a experiência plutoniana, em suas diversas ativações, sejam em elementos estruturais do mapa natal sejam em trânsitos e progressões no momento de vida. Isso porque a ativação de Plutão na vida pessoal costuma ser um estágio em que destruição e reconstrução do eu surgem entrelaçados à perda total da identidade, do que se conhecia de si até então. Há junto a Plutão elementos na experiência de vida que surgem como perda, abismo pessoal, descoberta de precipícios que nunca haviam sido imaginados e uma travessia no deserto da alma, que mais parece um processo de metamorfose, da lagarta à borboleta. Uma travessia de encapsulamento no casulo do eu, após uma desidentificação total com o passado de si e uma busca por reconstrução da identidade individual a partir do zero. Um processo que, apesar de extremamente doloroso, é libertador e lumínico, para o progresso da consciência. Um processo em que o eu só se depara com o saldo positivo de todo trajeto, após concluída toda a travessia, nunca jamais antes disso.


Afinal, a alma sobreviveu à morte em vida ao sobreviver a Plutão.


Hades|Plutão e a riqueza das profundezas

Perséfone, a romã, a inocência perdida, o inverno na Terra


Na mitologia grega, o mito mais associado à vivência plutoniana é o mito de Hades, Perséfone e Deméter, uma história que traz uma alegoria ao surgimento das quatro estações do ano e suas mudanças climáticas. Mas, para além disso, esse mito fala da caída ao precipício, da travessia de menina à mulher em que vive a bela Perséfone, ao se deparar com Hades (Plutão) e sua obsessão por ela. Um traço típico da vivência desse amor no mito, a paixão obsessiva, é também um dos componentes emocionais de quando Plutão está sendo ativado no mapa natal. Esse traço, que surge pontualmente ou de forma perene na personalidade, ativa no eu a saturação do desejo, dentro dos processos internos e das experiências externas. É o excesso de amor que vira desejo extremo e que chega ao auge de consumo do seu objeto afetivo, a ponto de saturar e desgastar o amor tornando-o por fim em desprezo. É o tudo e o nada do amor ou do tudo ao nada afetivo. O excesso de paixão vivido de tal forma (obsessiva), que leva ao total esvaziamento do sentimento - isso sim se pode dizer que é a experiência plutoniana vivida na carne, na pele, na alma.

No mito, Perséfone é raptada por Hades, o deus do submundo e mundo dos mortos. Lá ela passa pela transformação de menina a mulher de Hades e deixa sua mãe Deméter em desespero, com a perda da filha amada. Deméter é a deusa da agricultura e resseca a terra com sua dor. Negociando com Zeus, Deméter consegue que a bela Perséfone volte para seu lado, mas não sem que antes sua filha coma da romã oferecida a ela por Hades, vinculando-a assim eternamente ao submundo. É dessa forma que, em meio a esta negociação, Perséfone passa a viver seis meses em cada mundo, na primavera e verão está sobre a terra junto à mãe Deméter, que, feliz, permite o renascimento da natureza. Nos outros seis meses, ela volta ao submundo vivendo como mulher de Hades, deixando sua mãe em total tristeza e abandono dos cuidados com a terra, o que causa o adormecimento natural do outono e inverno. Essa alegoria nos permite expandir esta vivência da natureza à vivência plutoniana pessoal e humana, ao entender que somos um eu em travessia no inverno da alma, ao experimentarmos o rapto de Hades através de experiências plutonianas no nosso mapa astral.


Neste mito, podemos tirar muitas metáforas e alegorias com a vivência humana dos processos plutonianos, uma delas é o significado de riqueza a que é atribuído a Plutão. Sim, é nas profundezas da Terra que encontramos as maiores preciosidades da natureza, sejam as pedras e cristais preciosos, sejam metais nobres, sejam pérolas no fundo do mar, seja o próprio petróleo, que (apesar de complexo em si) é fonte de recursos para diversos construtos humanos. Isso sem falar do próprio processo de despertar da semente, que cai no profundo da terra e germina, brota, nasce e cresce nutrida pela fertilidade da mãe natureza. Aqui podemos associar as profundezas com a dor dos processos plutonianos, que espremem, constringem, esmagam e descascam a consciência humana até despertar o melhor de sua essência, transmutando aquilo que estava adormecido em semente e a acordando para o florescer em sua melhor versão. Um florescer no mundo em outro formato, para além do que se conhecia ali na semente. E essa é uma grande lição dos processos plutonianos: é na destruição do antigo eu, no enorme desconforto das intempéries da existência, é ali mesmo, no pico de dor de existir, que surge (no descascar da personalidade) o Self, o cerne, a preciosidade do eu.


O abismo: quando o eu perde tudo

O precipício desconhecido, o submundo, a perda, a dor

Perséfone (que até então se chamava Cora) estava colhendo flores quando o chão se abre aos seus pés e dali surge Hades, que a captura e a leva (sem explicar nada) para o abismo do submundo, algo que ela nem sequer sabia existir. Neste ponto do mito, vemos o processo plutoniano em seus estágios iniciais, que é quando somos surpreendidos em nossas vidas comuns com o turbilhão de acontecimentos à lá Hades, que surgem como um abismo aos nossos pés. O estágio inicial vem como um vórtice de situações desesperadoras e evocam o pior do emocional humano. É neste ponto que se evidencia o transbordar ao redor de todos os tipos de pensamentos, emoções e reações físicas sombrias, além de atitudes desmesuradas, ativando com isso toda a sombra adormecida, nesse eu que pode sintetizar este momento como “o desespero de existir”.


Esta fase é onde e quando não sabíamos que seria possível sentir tantas emoções, as mais densas humanamente possíveis, aqui vale considerar que nem só de amor vivem os seres humanos e ninguém melhor que Plutão para ativar no mapa astral os piores sentimentos humanos. Pois é na perda, na solidão, na destruição do mundo que se conhecia até então, que são evocados na psique humana toda a sombra adormecida: o modo sobrevivência em sua versão mais instintiva e animal. O que diferencia um ser humano mais evoluído de um menos é somente o que ele é capaz de fazer com o que sente, se (se voltando para seu íntimo) destrói em si tudo o que gerou esta dor ou (voltando-se para fora) destrói no mundo tudo que ele acha que gerou esta sua dor.


O descascar da personalidade (a carta O Enforcado no tarot)

Caronte, o Tártaro, o esqueleto que descascou o eu


Há um outro símbolo extremamente vinculado aos processos plutonianos em vida, que é a carta do tarot O Enforcado: um esqueleto dependurado pelo pé, nos confins do submundo. Pois para o mito, é assim a trajetória de quem adentra esse (sub)mundo. Primeiro, chega o barqueiro Caronte (este é o nome do satélite de Plutão, que forma um sistema binário com o planeta, por ser quase do mesmo tamanho que este, Plutão que hoje é conhecido como planetoide, apesar de ser para o simbolismo da astrologia um planeta tão contundente como qualquer outro, ou mais), que então o leva para atravessar o pântano Tártaro. Nessa travessia o ser que chega inteiro e bem vestido vai descascando. Primeiro se vão as roupas, depois as vestes intimas, depois, nu, o ser perde a pele, os músculos, os órgãos até ficar só a carcaça óssea. Ele então chega ao ponto mais ínfimo do submundo e paga suas dividas cármicas ali, dependurado pelo pé (esta carta também está associada a Saturno).


Aqui neste estágio, vemos a experiência plutoniana chegar a seu auge, junto ao turbilhão de fenômenos destrutivos e reações sombrias do ser que, atrelado e identificado com sua personalidade e atributos agregados ao ego, advindos de uma vida inteira, se vê acuado e na defensiva. Em meio a isso, só há perda, só há descascar dos enfeites do ego, só há destruição. Quanto mais o ser se contorce, se debate contra a realidade que se despedaça aos seus pés, mais o rebote das paredes da concha espremem o grão de areia e machucam a ostra. É ruim para todos, principalmente para o ser que vive a travessia plutoniana, mas não raro é destruidor para todos ao redor, para as conquistas mundanas, títulos, relacionamentos e saúde. Plutão costuma passar e deixar um rastro de destruição ao redor, um strike na vida de quem vivencia a travessia.


O cerne: quando não sobrou mais nada

O centro, a chama imortal, o Self


Ali como esqueleto, o ser chega ao ponto zero, ao centro, ao ponto mais imortal, ao cerne de si, à chama que nunca se perde, ele chega ao momento exato em que (na natureza) a semente se encontra adormecida no escuro e no frio da terra. E é exatamente a partir daí que só há um caminho a seguir: romper sua casca e germinar, saindo na superfície da terra em busca de luz. Chega então ao instante em que a ostra só tem uma coisa mais a fazer, com a dor que lhe foi causada pelo grão de areia: torná-lo pérola. É o mesmo quando, sob pressão e calor, o carbono só tem um caminho a partir dali: se tornar diamante. É bem como quando a lagarta, no mais apertado de seu casulo, só tem uma coisa a fazer: tornar-se borboleta. E assim é neste mesmo ponto, quando o ser, que um dia se entendeu como (um pacato) humano, só tem um caminho a seguir: tornar-se senhor de si, empoderar-se, bem ao encontro com seu cerne, seu centro, seu Self, sua chama imortal, sua melhor versão. Ele então, desnudo de tudo que o compunha, de todos os enfeites de sua personalidade, de todos os atributos que o sustentavam em sua vida, quando o rei está nu para o além mundo, só quando não resta mais nada, só assim, neste ponto irreversível, então o ser se ilumina.


A reconstrução do eu 

A partir do ponto zero, o esqueleto se reconstrói

O ser chega à estaca zero, ao ponto de maior desconstrução de si, de sua identidade, personalidade, lugar no mundo, de todos os enfeites do ego: ele chegou ao núcleo de sua existência imortal. Nesse encontro, ou melhor, reencontro consigo mesmo e sua essência, é dali que o ser pega impulso de se reconstruir. Do zero, do fundo do poço, da morte em vida. É neste momento em que, um dia ele acorda diferente, se sente diferente, como se a chama interior estivesse finalmente acesa, acordada, desperta. É o Self. Neste estágio o ser sente um alívio, depois dos sustos de toda a travessia no deserto, um belo dia ele acorda diante do oásis. Mas na verdade é o oásis da consciência, um despertar da chama interior, da alma em sua verdadeira essência, de todos os potenciais da semente. A partir desse ponto, o mito nos remete ao esqueleto dependurado que sai dali e vai vestindo novamente todas as camadas que o compunham. Não do mesmo jeito, não com a mesma alma, mas com uma chama interna em reconstrução. A personalidade vai então se reconstruindo camada a camada, músculos, órgãos, pele, vestes íntimas, roupas, acessórios e vida. O ser volta a ser humano e respira o ar fresco da nova vida. Ele sente que morreu, ele sente que renasceu, mas dentro da mesma vida: uma metamorfose em vida.


Eu não sou mais o mesmo: a metamorfose e o retorno à vida

Lagarta->casulo->borboleta, a adaptação ao mundo a partir de um novo olhar

O ser humano que se transformou durante o processo plutoniano e renasceu em vida não teme mais nada, ou quase nada, afinal ele já morreu e da morte ninguém escapa: ele conhece o caminho. Há algo de imortal no olhar de quem sobrevive aos processos plutonianos, há uma paz e uma força interior que não treme no primeiro susto. Há algo de samurai, de guerreiro viking, de sabedoria estoica, há algo de força de Lampião e Maria Bonita. Há uma maestria impregnada na alma de quem conhece a travessia no deserto de uma vivência plutoniana. “Ninguém me mata mais, sou senhor de mim. Não é uma ofensa que irá me abater agora. Aliás, nem ofende mais. Eu sou mais eu.” Aqui o ser que se redescobriu humano, demasiado humano, agora renasceu em vida e o que mudou foi o olhar. Do esqueleto ao ser vestido de persona, agora veste cada peça de sua personalidade com propriedade e sabendo que são somente vestes, enfeites, penduricalhos do seu eu central, que é quem é imortal. E, no fim, fica a consciência: nem eu nem você iremos levar nada deste mundo, para o outro mundo. O eu então se encontra mais forte e senhor de si.


A travessia plutoniana, por incrível que pareça, valeu à pena.



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A história de Hades e Perséfone é um dos mitos mais famosos da mitologia grega e explica a origem das estações do ano.


O Rapto de Perséfone

  • Quem eram: Perséfone (também chamada de Cora) era deusa da primavera e da agricultura, filha de Zeus e de Deméter. Hades era o deus do submundo e irmão de Zeus. 
  • O sequestro: Apaixonado por Perséfone, Hades obteve a permissão de Zeus para raptá-la. Enquanto ela colhia flores em um campo, a terra se abriu e Hades emergiu em sua carruagem negra, levando-a para reinar com ele no submundo.


A Fome e a Tristeza de Deméter

  • O luto da mãe: Deméter ficou devastada com o sumiço da filha. Em sua dor profunda como deusa da colheita, ela negligenciou a terra, fazendo com que as plantas morressem e a fome ameaçasse a humanidade.
  • A intervenção de Zeus: Vendo o sofrimento na Terra, Zeus ordenou que Hades libertasse Perséfone.


O Acordo e as Estações do Ano

  • A armadilha da romã: Antes de partir, Hades ofereceu a Perséfone sementes de romã. Ao consumir o fruto do submundo, ela ficou ligada àquele reino para sempre.
  • A divisão do ano: Um acordo foi feito: Perséfone passaria parte do ano (outono e inverno) no submundo com Hades, e o restante (primavera e verão) na superfície com sua mãe.
  • Explicação mitológica: Quando Perséfone está no submundo, Deméter entristece-se e a terra congela (inverno); quando ela retorna, a mãe se alegra e a natureza floresce (primavera).

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O TODO E O NADA DA EXPERIÊNCIA NETUNIANA

Netuno, casa 12 e o signo de peixes


Muita gente, quando começa a estudar astrologia e descobre a fama da casa 12 e de Netuno no mapa, simplesmente se apavora. Mas não é para menos, apesar de ambos, incluindo aí também o signo de peixes (em um outro formato mais amplo e arquetípico), todos trazem a ambiguidade de quando acessamos o agora infinito ou a experiência do todo e do nada, que são, para a nossa consciência, exatamente a mesma coisa. Quem escolhe como percebe essa experiência única é nosso livre-arbítrio e nível de percepção da realidade, uma escolha que cabe aos recursos internos de cada um.


O pleno e o vazio


Quando nossa consciência experimenta uma vivência netuniana (seja por ativação de Netuno, casa 12 ou o signo peixes) por trânsitos ou progressões ou mesmo no mapa natal (se expressando em nossa vida de forma inerente à nossa natureza essencial), em todos os casos podemos experimentar o que se chama de vazio existencial. Algo como uma vivência do nada, do zero, do branco mental, emocional e físico, do estado contemplativo em sua melhor versão e da angústia de existir em sua versão mais sombria. O que pode desencadear na consciência respostas diversas, dependendo de mil fatores, como nível de percepção da realidade, maturidade emocional, estilo de vida, contexto social em que ocorre tais momentos e muitos outros, mas que definem a experiência como positiva ou negativa e conduzem esse momento a algo igualmente bom ou ruim.


Um portal do aqui-agora

No caso da percepção no sentido negativo, é uma pena… porque esses momentos são tão ricos e tão desperdiçados, quando a alma não está preparada para lidar com este estado profundo da experiência humana encarnada. Isso porque acessar o nada é o mesmo que estar plenamente no aqui-agora, estar totalmente presente e pleno no agora infinito. Um estado de consciência raríssimo para a maioria das pessoas reconhecerem e valorizarem, e que na verdade pode se converter em um canal de acessibilidade ao plano espiritual, aos registros akáshicos e a informações que pertencem ao plano maior de existência. Ou seja, estar no aqui-agora é totalmente diferente de se sentir evoluído ou espiritualizado, mas, apesar de ser uma experiência possível a todo ser humano em algum estágio da vida, essa vivência tem a característica de abrir um portal interdimencional e, sim, pode ser denso, caso seu contexto interno e externo também esteja denso. 


A angústia e a inquietação 


Angústia e inquietação são fatos reais e a via que leva a muitos a se perderem por acharem que isso é uma patologia mental ou uma distorção da realidade. De fato, não é algo padrão ou habitual de existir, mas também não pode ser chamado de distorção, já que essa experiência netuniana eventualmente acontece com qualquer um de nós, em algum momento da vida. Essas emoções e sentimentos podem surgir por causa da aparente abertura interna dos alicerces da psique, uma percepção que, se for vista como oportunidade, podemos olhar para cima e receber as referências lumínicas que o momento proporciona. Mas, se olharmos para o lado ou abaixo de nossos pés, no sentido de que olhando ao redor e para a realidade prática, podemos entender equivocadamente que este estado não favorece as atividades rotineiras ou mentais e físicas, já que esta é uma abertura emocional ou além matéria.


Estado contemplativo x perda do ego


Este estado pode ser vivido como contemplativo, como exercício de respiração e observação plena, presente e atenta ao movimento ao redor do momento presente, do agora infinito, do pleno aqui-agora. Essa é a melhor versão, caso a consciência já tenha um caminho trilhado com meditação ou concentração interna, respiração consciente ou mindfullness. Se não tiver, então entra aqui a tal da angústia, por causa da perda de referências do tempo corrente passado ~> presente ~> futuro. O que seria potencial de redirecionamento da consciência, essa experiência vira um turbilhão de emoções perdidas e sufocantes, um espaço de quase enlouquecimento. O que cria uma sensação de perda dos limites pessoais para algo tão maior, que as referências do ego se esfacelam diante dos próprios olhos e da própria respiração, que vira um perder-se a cada instante. O estado contemplativo, de rico e poderoso para a evolução consciente, vira um estado de perda de si e desespero do ego, algo que pode ser bem perigoso dependendo dos recursos internos de cada ser.


Rituais automáticos não fazem sentido


Quando se vive o agora pleno e sem referências de passado e futuro, sem essa sensação de sequência de tempo, sem a percepção de um passo atrás do outro no decorrer do tempo, a primeira coisa que se perde é a sensação de apoio para a consciência que os rituais diários e confortáveis para o piloto automático costumeiros tem. Rituais perdem o sentido justamente porque ritual é âncora da mente corrente de que existe sim passado, presente e futuro e que as coisas estão interligadas como uma corrente de acontecimentos. O que se sente perder aqui é essa sensação de apoio, de passo a passo de encadeamento dos fatos. A mente fica tão presente, tão no agora que desancora dos outros tempos e perde a referência de construção do espaço-tempo habitual. É tudo tão potencial, é tanta força no agora, que assusta a mente acostumada a viver de segurança nos rituais pré-agendados da rotina e da vida corriqueira.


Do mal-estar ao agora pleno


Há um tipo da experiência netuniana ou de casa 12 ativada que pode se resumir a um perene estado de desconforto em estar vivo, um mal-estar de estar na própria pele, um estado de angústia de existir, como se o agora estivesse perdido no tempo, um tempo sem tempo, sem passado e sem futuro, um tempo avulso e desorientado. O positivo disso pode não ser achado pela consciência, que vive na intensidade desse agora, sem referências de passado e futuro, é aí que surge então a angústia, o despreparo de se viver a potência desse agora pleno de possibilidades.


O que há de potencial acaba se perdendo em meio ao estado de desespero, de estar perdido e sem referências. Existir na própria pele parece então ser um grande desafio, pois viver assim perde o sentido… mas é justo isso que o agora pleno quer, tudo fica tão sem sentido, as peças da estrutura da vida ficam tão em suspenso, que permite a remontagem do ego ao manejo da consciência presente e atuante, consciente do que ocorre de fato e empoderada de si. Esse agora poderoso é que reestrutura as peças da vida e da existência para um novo agora futuro, com novas peças e nova organização interna. Permitindo a consciência a moldar-se a si mesma, a reconstruir-se e se reconfigurar em um formato estrutural mais pleno, mais organizado e mais puro. A vida recomeça a partir daí.