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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

A ASTROLOGIA COMO UMA FORMA DE VIVER

No meu ponto de vista, a astrologia não é somente um saber, não é somente trabalho, mas sim é uma forma de conduzir a minha própria vida, é um olhar para o mundo e para o meu mundo, é um olhar para a existência. Eu pessoalmente entendo que, como a astrologia veio muito cedo na minha vida (aos onze anos passei a estudar assiduamente e nunca mais parei), isso moldou decisivamente minha visão de mundo. Toda a minha forma de entender a vida e de entender a minha vida (a minha forma de funcionar) parte do saber astrológico, o qual me incentiva e ajuda a ser uma versão melhor de mim a cada dia, permitindo um olhar de autolapidação para mim mesma, a cada momento.


Para mim, a astrologia é uma forma de viver, que vai muito além de um conhecimento de técnicas e teorias, como muitos conhecimentos são. Astrologia é ver, sentir, ouvir, saborear e tocar a vida de uma outra forma, com um olhar mais rico e profundo para cada acontecimento, para cada ser humano e cada evento. A astrologia moldou o meu olhar a ponto de eu conseguir sentir como funciona o fluxo do tempo e a construção de cada fenômeno como uma parte do todo. Entendendo que vivemos ciclos dentro de ciclos e que os símbolos astrológicos se mesclam entre si a cada instante, construindo de forma sempre única e peculiar cada situação - mesmo que existam padrões mensuráveis sempre possíveis de decifrar, ao decifrarmos os símbolos astrológicos, deciframos cada parte do que compõe os fenômenos.

Astrologia é riqueza de existir e dar sentido a cada fase, cada dia, cada emoção e sensação que pertence ao momento e está codificado ali nos símbolos. Viver com astrologia é fluir na vida, entendendo cada passo como uma peça, em uma engrenagem maior que é a vida. É saber o sentido de cada coisa e saber dar sentido a todos os acontecimentos, a todos os encontros e até os desencontros. É saber que as quedas e os saltos são partes componentes e necessárias de um processo maior, que nos leva sempre ao progresso - mesmo que em alguns momentos a sensação seja de retrocesso, o olhar astrológico ensina: tudo faz parte. E o que constrói em nós essa mente rica de percepções é o olhar astrológico, o olhar para o símbolos com sabor de realidade, de experiência e de verdade. É sentir a vida como rica e pulsante, sempre cíclica mas sempre nova, renovada, emocionante.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

A ANÁLISE DO COSMOS DOS GRANDES ENCONTROS

A astrologia e os encontros sagrados

A análise de compatibilidade astrológica entre pessoas é com certeza a análise mais complexa, intrigante e sem dúvida a minha área preferida, meu xodó dentre todos os desdobramentos possíveis da astrologia. Isso porque, para mim, é sempre uma surpresa e um aprendizado, além de ser um encantamento eterno com a arte do encontro, embora esteja aí retratado também os motivos dos desencontros da vida. Algo inevitável, tanto um como o outro, não cabe aqui o livre-arbítrio unicamente. Ou nem sequer cabe, se olharmos do ponto de vista astrológico, porque tem algo de mágico e intangível, de espiritual e encantador, tem algo de sorte e de arte mesmo, a arte do encontro. Só podemos agradecer e viver os grandes reconhecimentos de alma como benção, o que de fato é, e a astrologia confirma quando é.


E é nesse contexto, com o qual irei focar neste texto prioritariamente nos grandes encontros, os inevitáveis, os encantados, os enebriantes, nas afinidades excepcionais e na compatibilidade acima da média, por motivos de serem esses os mais belos e raros e por isso devemos valorizá-los mais do que costumamos, especialmente nos momentos de vida desafiadores (também inevitáveis) para as duas pessoas. Aqui a gente pode pensar nos encontros de alma, almas gêmeas e chamas gêmeas, aqueles em que ambas individualidades se veem impactadas igualmente e transformadas profundamente. Aquela coisa de filme de romance água com açúcar, que deixa todos nós suspirando.


O mistério que envolve um encontro 

A mística: quando a conexão é verdadeira

Aqui entra a complexidade da coisa, o que me intriga e me hipnotiza diante do saber astrológico: o mistério que envolve um encontro. Me intriga porque o olho no olho de um encontro é algo tão etéreo e significativo para aquelas pessoas, é algo que pertence a elas somente e ninguém mais, é algo intangível e concreto ao mesmo tempo, é uma química real entre almas e quase palpável para quem presencia. Então, por que cargas d’água, na análise de compatibilidade de mapas natais está aí também retratado a natureza desse encontro? Por que uma técnica por si só pode anunciar se duas pessoas são afins e irão se apreciar ou não, se irão se gostar e decidir ficarem juntas ou não, se irão caminhar pela vida de mãos dadas em todos os sentidos (ou não)? Como é isso? Como uma técnica tem como prever isso? Me explica, por favor, se você souber a resposta, porque eu ainda não descobri: da técnica eu entendo, mas do mistério que a envolve, não…


Enfim, quando imaginamos que a vida é uma gigantesca teia de conexões entre pontos de consciências e que uma pessoa é um desses pontinhos de luz que passeia pela vida e se esbarra com centenas de milhares de outras pessosas (outros pontos de luz de consciência interconectados por essa rede)… E se imaginarmos que cada deslocamento de um ser humano pelo mundo movimenta toda essa teia de conexões a todo momento, então podemos imaginar que duas pessoas se encontrarem e se gostarem na imensidão desse oceano de gente conhecida e desconhecida, é nada mais nada menos que um milagre, concordam? Porque conexão não é encontro marcado e bate-papo sem muita importância, conexão é conversa em silêncio e profundidade a cada pausa, é significado em cada gesto e importância de cada história contada. Conexão é encontro marcado pela alma e orquestrado pela vida, conexão é raridade. E quando acontece a gente clica por dentro: aqui eu posso morar, aqui é porto seguro para a minha alma.


E em meio a esse mistério chega a astrologia, como análise do cosmos de cada um, análise e síntese da natureza de cada pessoa, enquanto no encontro são dois cosmos se esbarrando e interagindo, gerando um novo cosmos em comum, uma supernova da relação, do encontro. É nessa poesia, que muitos encontros se tornam desencontros, por não haver a tão rara afinidade de alma e dos cosmos particulares - e entre os mapas natais de cada um. Quando não há afinidade de mapas astrais natais, então cedo ou tarde as duas pessoas se afastam, se desentendem, se revelam no conflito ou no excesso de pacificidade da relação. Tudo pode ser problema, até a ausência dele, quando uma alma não se encontra na outra. Quando não há afinidade, não tem como se enganar por muito tempo ou, se dura muito, essa relação se desgasta, e quando estabiliza no tempo, é certamente por preguiça de um ou ambos de recomeçarem avulsos pela vida. Coisa que o status quo de uma sociedade que valoriza o matrimônio (com seus patrimônios em comum), pode causar em um casal ex-casal casados e desafinados juntos. A desafinação aqui não é do canto, mas da alma que encontra outra alma não afim.


As individualidades e seus cosmos particulares

O mapa natal: o que cada eu é por si mesmo

Nesse ponto, podemos começar a adentrar na astrologia como conhecimento e técnica e direcionar nosso olhar para como se configura o encontro, a partir dos símbolos que cada ser humano carrega individualmente. A primeira análise que é feita, em um estudo de compatibilidade, é justamente uma leitura do mapa natal individual de ambos, onde podemos avaliar qual é o tipo de potencial afetivo e quais são os temas particulares mais propensos para a vida daquela pessoa. Vemos o Sol e como funciona o eixo de sua personalidade, vemos a Lua e como ela se nutre e se conforta, Mercúrio e como raciocina e dialoga, vemos Venus e como ela atrai (mulher) ou como se sente atraído (homem), em Marte e como se projeta (homem) ou como se sente magnetizado pelo outro (mulher), vemos Júpiter e como funciona o processo de expansão pessoal, vemos Saturno e onde existem as marcas de traumas e o carma, Urano e onde há a rebeldia e quebra de padrões, Netuno e onde há idealização e sacrifícios, vemos Plutão e onde há dor-transformação e desejo, vemos Quiron e onde há uma ferida aberta na alma. Além de ver alguns asteróides específicos, para agregar infos direcionadas para a análise de compatibilidade amorosa. Para além de tudo isso, vemos os eixos, as casas, os signos e os aspectos entre os astros, que estão ativados no mapa natal. Ou seja, fazemos a análise completa de uma leitura de mapa astral.


O motivo desse profundo estudo inicial é um princípio bem simples: somos primeiro nós mesmos e nunca deixaremos de ser. Especialmente, se considerarmos que o processo de apaixonamento e envolvimento afetivo pode, durante alguns meses, nos deixar inebriados e alterados na completude de nossa personalidade. Inclusive por motivos bioquímicos, que são ativados através do encontro afetivo, mas que, em um momento posterior, toda essa química cerebral e fisiológica irá ser minimizada de intensidade ou até desaparecer totalmente. E aí é que retornaremos aos temas-base de nossa individualidade e que estão ali representados no mapa natal. Para além disso, em uma avaliação astrológica de mapa natal individual, vemos qual o grau de abertura e espaço interno uma pessoa tem disponibilizada para a relação afetiva em sua vida: se muito ou pouco, se extremamente ou quase zero, se curte romance mas não relações de construção de vida juntos, se é focada no trabalho ou nas amizades e não tanto no amor, se é mais razão e menos emoção ou o contrário, etc. Enfim, no mapa natal já está expresso o potencial afetivo pessoal, o grau de espaço no qual as relações afetivas possuem na vida dessa pessoa e como isso irá moldar sua personalidade e suas parcerias.


O encontro como momento sagrado de reconhecimento

Os momentos de vida particulares: quando chegou a hora


Yes, a astrologia pode prever isso. Existem sim momentos específicos na vida em que o universo conspira para a nossa felicidade, existem sim momentos em que um portal de prosperidade se abre em nossa vida e surge um grande amor, uma grande sorte, uma grande benção. E posso já anunciar que Júpiter fazendo conjunções no nosso mapa, em eixos e planetas, pode sim trazer a pessoa amada para a nossa vidinha. Mas aqui podemos ir além, podemos entender o porquê desse grande salto surgir em nossas vidas, isso porque nós temos que reconhecer, que encontros marcantes, especiais, abençoados não caem do céu todo dia - e as conjunções de Júpiter só acontecem de 12 em 12 anos: é coisa rara. Eu diria que o amor verdadeiro só é possível uma ou no máximo duas vezes na vida, deve ser por isso que dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar ou que o cavalo selado não passa na porta duas vezes. Então, que tenhamos olhos para ver e coração para sentir, quando for um encontro de almas verdadeiro, quando for chama que arde no peito, quando for querer bem mais que bem querer, quando for conexão de alma. Que nossa alma reconheça quando é amor de verdade e “é fogo que arde sem se ver, é um andar-se estar preso por vontade”. Que o nosso coração saiba quando formos realmente flechados pelo cupido e isso se torne o início de uma grande história de amor em nossas vidas.


Quando os olhares se cruzam e o coração sente diferente

O mapa do primeiro encontro: o nascimento do casal


Existe um ponto específico, no qual a astrologia pode decifrar muito do que acontece entre um casal ou no encontro de duas pessoas, que é o mapa do momento exato em que dois olhares se cruzam e formam ali uma conexão instantânea. Este momento é raríssimo de ser identificado (claro), porque as pessoas de modo geral não são astrólogas e não sabem disso, muito menos são capazes de registrar o minuto exato em que se conectam com uma pessoa especial em suas vidas. Afinal, muito mais importante é viver o momento e estar ali presente e recebendo essa dádiva do além. Mas caso haja essa possibilidade, então que registrem este momento de olho no olho, em especial se for o instante exato em que se conectam com alguém específico, com quem tem algo excepcional a viverem juntos. Isso porque aí está uma ferramenta astrológica que faz referência ao nascimento da relação, para além de todas as outras técnicas astrológicas de mensurar e decifrar uma compatibilidade. Esta é, com certeza, muito precisa e informativa sobre o destino da união e sobre quais moldes essa relação irá tomar na vida, como uma entidade que está nascendo ali. Vale ouro a atenção quanto a este momento: se sentiu que foi um encontro diferente, um olhar especial, uma conexão instantânea ou uma fisgada no coração, anotem data, hora e local. ;)


Afinidades e afinações energéticas

A sinastria: o que cada eu é para o outro


Esta terminologia (e sua técnica) é provavelmente a mais popular e conhecida de todas as técnicas astrológicas de compatibilidade - de modo geral, quando alguém pede uma sinastria, ela quer dizer que quer uma análise completa de compatibilidade, a qual junta sinastria a todas as outras técnicas. Na verdade, a sinastria é uma técnica muito mais alargada e utilizada na vida e na astrologia em diversos aspectos e em muitos outros contextos. Porque podemos fazer a sinastria entre diversos nichos da vida, como entre uma pessoa e um lugar, uma pessoa e um momento, uma pessoa e outra pessoa etc., esta última sendo então uma das ferramentas mais precisas dentre as técnicas de análise da compatibilidade amorosa. A sinastria nada mais é que a mescla entre dois mapas natais, ou melhor, a sobreposição entre mapas, na qual vemos os aspectos entre planetas e eixos, a ativação entre casas natais e a combinação de signos ativados. Vemos com isso, como cada eu ativa e é ativado em sua essência, ao se conectar com o outro eu, vemos assim o que é despertado na natureza particular entre os dois indivíduos, quando estão juntos em parceria ou só ao estarem pareados. Aqui neste ponto, podemos sim notificar o que uma pessoa desperta na outra e a química da relação, pois esta técnica é muito corpórea, energética e analisa o campo individual sendo compartilhado e influenciando bilateralmente ao outro campo individual. Na sinastria podemos avaliar o grau de compatibilidade em níveis muito concretos, pois as ferramentas que compõem a existência de cada pessoa são mescladas com as ferramentas da outra pessoa e com isso surge uma combustão (digamos assim) ou a química em si - ou a ausência dela. Neste ponto, vemos se as duas pessoas se agradam ou não, se parecem ou não, se compartilham de modos de viver similares ou não e se tem afinidade energética ou não. Assim como se a química é forte ou não e que tipo de química é essa: as qualidades de cada ser podem conjugar uma união mais para construtiva ou mais para destrutiva? É nesta técnica que podemos avaliar.


Um encontro é mais do que a junção de duas pessoas

O mapa composto: a relação como uma entidade à parte

Sim, a relação é um ser avulso e cheio de vontades próprias e que se relaciona separadamente com cada um dos componentes da parceria. Calma, deixa eu explicar. A união de duas pessoas, seja afetiva ou não, evoca um campo de relação avulso, composto por ambas as pessoas e para além delas, uma entidade à parte dos dois indivíduos. E é daí que surge a técnica de mapa composto, que é o mapa astral do encontro de duas entidades, mas que gera uma nova, uma composição única da alquimia entre dois seres. Como técnica, este mapa nos apresenta a média matemática de cada ponto referente aos mapas de cada pessoa separadamente, então ele forma um mapa hipotético de um céu que nunca existiu, mas que existe como campo da parceria, existe como egrégora do casal (em relações amorosas), ou seja, existe como ponto médio entre os campos individuais. Este mapa é muito revelador, pois mostra a dinâmica da relação e com a qual ambos indivíduos tem que lidar, especialmente quando é uma dinâmica desafiadora, com pontos do mapa que ativam conflitos, impedimentos ou restrições, mas é maravilhosa quando existe um composto que mostra uma linda relação e ambas as pessoas desfrutam desse encontro excelente. Ainda tem mais, podemos aplicar o mapa composto aos mapas natais individuais e assim descobrir uma outra camada de compatibilidade da união, que é o que a dinâmica da relação (mapa composto) ativa em cada uma das pessoas que compõem essa relação. Ou seja, podemos fazer a sinastria do mapa composto com os mapas natais de cada um e assim descobrir como aquela relação ativa o campo individual, como desperta ou influencia as particularidades de cada pessoa da união. Um grande passo é dado, na análise da compatibilidade do casal, quando podemos conjugar ambos mapas natais em um mapa composto: surge aí um mapa do composto energético ou do campo da relação.


O destino em comum, o caminhar da parceria

O mapa de relação (Davison): o futuro da união

Outra técnica muito valiosa é o mapa de relação. Ele tem uma proposta bem parecida com a do mapa composto, exceto que a técnica é outra e que aqui o mapa de relação agrega informações não só sobre o campo da união, mas sobre o campo que se forma com o passar do tempo. Ou seja, o mapa de relação é o mapa do desenrolar, do desenvolvimento e do futuro da união, nele vemos quais pontos surgem e quais são agregados ao campo inicial da relação (apresentado no mapa composto) com o progresso da parceria. É nele que vemos para onde a união se dirige, para qual campo simbólico ela vai se conduzindo e se construindo no passar do tempo e das vivências em comum. Como técnica, o mapa de relação (Davison) difere do mapa composto no fato de que aqui está retratado um céu real, que existiu no espaço-tempo e que aconteceu na data exata no meio entre os dois nascimentos (bem na metade), é o mapa astral da data média entre o parto de um e do outro, dos dois indivíduos que compõem a relação. Assim como o mapa composto, aqui existe um campo avulso e com características próprias e que pode ser aplicado aos mapas individuais para se entender como a relação, ao se desenvolver, influencia naquela individualidade que pertence à união. Este mapa é extremamente importante na análise de compatibilidade, pois mostra o potencial de desenvolvimento no tempo, mostra o crescimento da relação e se será mais construtiva ou não no decorrer das vivências e experiências em comum.


As crises individuais ou no relacionamento 

A (possível) separação: os desafios dos ciclos da vida

Bem, não podemos deixar de considerar as crises pelo caminho, não é? Essas que podem causar enormes danos para a relação e deteriorar a magia do encontro. É verdade que nem sempre os encontros de alma percorrem o tempo e superam e se superam como união sagrada, ao atravessarem as crises individuais e da relação em si. Isso porque a relação, já que é uma entidade à parte e possui seus mapas avulsos, também passa sim por suas crises existenciais e seus momentos de baixa, de desconstrução e bloqueios, assim como passa pelos momentos de salto, de expansão e de bençãos para a união. Tudo funciona da mesma forma que um mapa astral comum, ao aplicarmos as mesmas técnicas de previsão de um mapa natal individual de um ser humano aos mapas composto, de relação e do primeiro encontro. Diante disso, o que fazer? Aqui entram aspectos muito particulares e o grau de intensidade da crise. Entra o fato de a crise ser só da relação ou se se soma a crises individuais dentro da parceria, entra o grau de força da relação e compromisso feito na união, o grau de afinidade e de química, o grau de amor e de comprometimento particular, de ambas as partes, na força do vínculo ou se existe aí uma união possível de ser rompida. São muitos fatores: contextos de vida, livre-arbítrios particulares, força do vínculo, construções de vida em comum e agentes externos (e internos) que podem chegar intervindo na união etc. Tudo isso pode vir por à prova a relação e pode (ou não) causar o fim dela ou, uma opção melhor ainda, pode trazer um novo começo em comum.


Ficar junto é uma composição de múltiplos fatores

O livre arbítrio: quando escolhemos parmanecer (ou não)

Chegamos aqui ao imponderável: o livre-arbítrio de cada pessoa. Isso mesmo, podemos ter até aqui só pontos maravilhosos a serem analisados e observados em uma união, podemos ter até aqui muito mais aspectos construtivos, favoráveis e afins para avaliar se duas pessoas podem dar certo em um encontro de almas, podemos inclusive ficar encantados com a história de amor que está sendo contada nessas vidas, mas podemos também nos deparar com uma separação. Sim, é possível e é humano. Não é incomum no mundo atual existirem histórias lindas que chegaram ao fim, em um momento de vida em que o livre-arbítrio de um ou de outro ou dos dois pede por seguirem caminhos divergentes. Há sempre essa possibilidade e não raro é o que acontece na maioria das famílias. Isso pode acontecer por uma explicação astrológica também: o desenvolvimento humano individual passa (em algumas fases) por etapas de ruptura com o passado, com o passado do eu e de tudo aquilo que o envolve, incluindo aí as relações em geral, a profissão, as amizades, os locais de moradia, a saúde, o propósito de vida e… o amor. Existe sim, etapas da vida, em que é necessário haver rupturas e saltos evolutivos, o que muitas vezes significa o fim de uma linda relação amorosa, que pode ter durado anos, que pode ter tido família e filhos, que pode ter tido amor real, mas que mudou de forma e deixou de preencher a vida de um e do outro na união. Aqui a astrologia sinaliza os trânsitos de Urano como um provável ativador desse estado, com suas fases de salto de consciência, desprendimento com o passado e com vínculos, além de busca por novos caminhos, novos rumos, novo destino e novas descobertas. Um novo estágio de vida é buscado aí e o livre-arbítrio costuma se impor, modificando toda a estrutura de vida e, provavelmente, o destino de uma história de amor. Afinal, tudo é possível nessa vida.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

INTERDISCIPLINARIDADE SIMBÓLICA

A mescla entre os saberes ancestrais

Ao adentrarmos no misticismo e outros saberes ancestrais, podemos começar a entender suas linguagens sendo atraídos inicialmente por um ou outro nicho de conhecimento (talvez seja o tarot ou a astrologia ou os sonhos ou outro), mas em algum ponto do aprofundamento desses estudos, vamos nos deparando com o entendimento de que a linguagem simbólica ancestral está enraizada de formas similares em todos os campos dos saberes místicos. Ela está sempre aqui e ali se mesclando e agregando informações cada vez mais amplas e profundas umas às outras, entrelaçando símbolos, em um processo que enriquece a todos os nichos, quando nos permitimos mergulhar nessa interdisciplinaridade entre os códigos da ancestralidade simbólica humana. É aí que percebemos a genialidade dos nossos ancestrais, que nos confins do tempo, quando éramos apenas seres no começo do processo civilizatório, construímos saberes para além do tempo e do espaço, mas que codificam e decodificam a vivência humana em suas diversas nuances, não raro com uma sabedoria e sapiência magistral diante da vida. Algo que levamos uma vida inteira para compreender e nos desenvolver em nossa visão de mundo e percepção da vida. Uma joia a ser desvendada a cada pequena descoberta, mas que nos traz sempre imensos insights e aberturas da consciência, um mundo novo se abre diante dos nossos olhos.


A representação dos códigos da vida

Imagens, números, mitos, cores, sons, sonhos (etc) são o espelho da vida


Podemos inicialmente ser atraídos pelos signos do zodíaco e a astrologia, entendendo que aí existe um processo profundo de explicação dos ciclos da vida e um entendimento da experiência humana como uma busca de si: a jornada do herói. Aí em algum momento, descobrimos o tarot e vemos que ali nas cartas (especialmente nas mais clássicas, o tarot de Marselha) estão retratados símbolos e imagens que traçam uma descrição da vida, como estágios de descoberta de si, através de um espelhamento com trechos de diversos mitos greco-romanos, um entendimento do eu em sua autodescoberta: a jornada do herói. Aí podemos então nos deparar com a numerologia e no seu estudo descobrir que os números codificam progressivamente a descoberta e desdobramento do eu na multiplicação do eixo individual a partir do 1 em diante, uma decodificação da descoberta do Self em seus vários estágios: a jornada do herói. Expandimos nosso olhar para a vida e vemos que os sons e as palavras são basicamente uma construção humana ancestral, que explica metaforicamente como é viver e existir, a partir dos primeiros sons e do desenvolvimento etimológico da linguagem humana, um exemplo de como viver e descobrir a si mesmo ao longo da existência: a jornada do herói. E por aí vai… descoberta após descoberta, vemos o mesmo processo desvendado em diversas linguagens místicas (ancestrais), mas sempre igual em sua essência e busca de compreensão: a jornada do herói.


Podemos ir ainda além e buscar na psicologia profunda a compreensão e decodificação dos símbolos dos sonhos e da linguagem do eu e entender que, dependendo de qual leitura simbólica nos afinamos, é possível ver perspectivas diversas de tudo aquilo que sonhamos e dizemos. Podemos focar por exemplo na leitura da psicanálise, com a descoberta de si atrelados à construção do eu no desenvolvimento da pulsão de vida e da pulsão de morte, uma busca por desvendar os confins do inconsciente individual e nesse caminho aprender a lidar com a própria psique e seus desejos: a jornada do herói. Ou podemos suprimir essa visão e entender, na psicologia analítica, que nosso eu pertence a um campo ancestral muito maior e que nossos sonhos podem espelhar vivências para além do eu, mesclando símbolos individuais ao Inconsciente Coletivo e seus arquétipos universais. Uma descoberta do eu que extrapola o eu, um caminho que pertence ao humano e à existência humana desde o princípio dos tempos: a jornada do herói. Podemos também buscar no saber oriental o entendimento da roda do Samsara (uma leitura da vivência humana na experiência concreta, encarnada na realidade) e trazer técnicas como a respiração consciente, a meditação, o yoga, o tai chi chuan, artes marciais etc., ao compreender sobre canais energéticos no corpo e sobre os chakras, rodas energéticas associadas a cores e percepções da vida em cada nicho de consciência. Uma busca que nos traz uma forma não ocidental, muito mais orgânica, biológica e autônoma de viver a busca de si, de encontro com o próprio eu e a própria caminhada individual: a jornada do heroi.


Astrologia: o céu e os ciclos da existência

Assim como em cima é embaixo


O conhecimento astrológico e entendimento de que o céu espelha a vida e a vida espelha o céu, começou a ser construído nos mais antigos povos da ancestralidade humana, nos confins do tempo. Afinal a astrologia é um saber que vai além da civilização humana, pois esteve presente e constituindo a percepção da vida desde o começo da evolução do homem, quando éramos apenas hominídeos em cavernas e grupos humanos espalhados pelo planeta. A astrologia em seu começo, era guia celeste para os movimentos nômades de pequenos aglomerados humanos pelas terras e orientavam os seres sobre os ciclos das estações do ano, sobre como e quando era tempo de plantar, colher ou aguardar a natureza responder aos investimentos humanos. Além disso, ver e se guiar pelas constelações e estrelas, astros e ciclos repetitivos das mudanças no clima, era apenas uma parte da compreensão da vida nesse início humano. A astrologia era mais, ela explicava fenômenos vividos ciclicamente, ao serem pareados e observados como e quando eventos celestes e eventos humanos (mundanos) aconteciam juntos no espaço-tempo, construindo assim essa percepção de que “assim no céu como na Terra, assim em cima como embaixo” (o princípio hermético de correspondência simbólica céu e Terra).


Ainda não se sabe disso no saber tido como oficial e científico, mas já é sabido pelos saberes ancestrais e místicos, que a astrologia constituiu a percepção da vida desde os seus primórdios, assim como a linguagem humana, ambas se construíram em imagens e sons sobre o que era viver ali desde o princípio. Cada desenho percebido no céu era associado a um evento que acontecia na vida concreta, ali ao mesmo tempo, e com a recorrência desses eventos céu-Terra sendo pareados, foi sendo passado de pai para filho o conhecimento, a interpretação e a decifragem de cada fenômeno, como um recurso extremamente preciso e confiável, ao lidar com os acontecimentos da realidade prática. Era possível então prever e esperar o que iria acontecer ali ao redor, no mundinho conhecido dos nossos mais antigos ancestrais humanos, quando eles presenciavam fenômenos no céu diurno ou noturno e assim podiam se proteger ou aproveitar cada coisa que acontecia ao favor de suas vidas. A astrologia então era um código muito rico, preciso e confiável, tornando-se com o tempo uma narrativa simbólica de histórias mitológicas universais, que traziam aspectos arquetípicos da vida, uma referência de como entender, perceber e conduzir os passos de cada ser humano, ali naquela realidade incipiente da humanidade.


Para além disso, com o desenvolvimento humano ao longo de milhares de anos e com a chegada da civilização humana, em que houve o aprimoramento das habilidades e aproveitamento cada vez maior dos recursos disponíveis para sobrevivência da população, foi possível desenvolver idiomas, escritas, as artes gráficas, os números, os desenhos, o uso do papel, das tintas, dos metais, dos instrumentos musicais e sonoros, das vestimentas, dos objetos, dos instrumentos do lar, dos móveis e ferramentas, das medicações e conhecimentos medicinais, da alimentação, da agricultura, das leis e morais da sociedade (etc etc etc) e por fim do surgimento da cultura humana como um todo, em suas diversas manifestações e idiossincrasias espalhadas pelos múltiplos locais do planeta. As peculiaridades eram diversas e características de cada canto do mundo e suas geografias, intempéries e fisionomias humanas, mas as formas de se construir e constituir a cultura humana eram sempre as mesmas metodologias, de percepção do ser e do mundo ao redor: ver o céu e associar seus fenômenos ao mundo concreto, perceber a vida e recriá-la, representá-la em sons, cores, números, mitos e geometrias, além de muitas outras. A vida era sempre uma mescla entre esses elementos-base da construção do mundo e era metaforizada em narrativas cada vez mais sofisticadas e ricas de elementos-surpresa (os mitos), para guiar e conduzir os passos humanos da melhor forma e nas múltiplas possibilidades de vivências a serem experimentadas na vida real.


Tarot: as cartas e a mitologia greco-romana

A jornada do herói em diversos estágios


Já quando vemos as lâminas de tarot, com seus desenhos míticos e com muitas informações codificadas em cada detalhe (cada traço, cor e imagem representa algo específico da vida), nos deparamos com uma representação de uma vivência arquetípica única, em cada carta e com o mix de cartas. Cada tiragem nos permite receber sincronisticamente um pacote de informações sobre a vida, podemos assim ver que a jornada do herói possui muitos estágios, muitos caminhos e muitas possibilidades de se desenrolar. Ao escolhermos uma carta, recebemos um sistema de códigos da nossa vida e da realidade atual, em que podemos realizar uma interpretação contextualiza ao momento em que vivemos. Podemos inclusive multiplicar as técnicas de decodificação, ao mergulhar em muitas outras descobertas sobre nosso contexto atual, sobre temas gerais e específicos da vida, além de fazer perguntas específicas, sempre recebendo através das cartas uma imagem multifatorial, multirepresentativa, mas que possui um foco arquetípico direcionado em cada carta em seu posicionamento - o qual nos informa, nos guia e nos esclarece sobre possibilidades e direcionamentos do caminho de vida atual ou para um futuro breve.


Existe uma lógica enriquecedora na construção das cartas, uma lógica que mistura a arte do desenho com a representação mitológica dos processos humanos universais, em que cada eu se depara com contextos que evocam desafios e estágios de desenvolvimento da psique. Ali em cada carta, estão remetidos a fenômenos da vida associados a estados emocionais específicos, estruturas de realidades definidas e referenciadas em trechos da mitologia antiga greco-romana. São personagens arquetípicas que mais nos parecem experiências atemporais, recorrentes na história humana desde o princípio dos tempos, mas que foram imortalizadas juntos aos deuses do Olimpo e suas peripécias, uma forma alegórica de contar como tudo surgiu na existência e na humanidade. Cada personagem sendo então retratada com traços humanos em suas potencialidades e debilidades, virtudes e vicissitudes, qualidades e defeitos, forças e fraquezas, um humano demasiado humano. E é exatamente por isso que uma jogada de tarot é tão reveladora, ao escolhermos uma carta explicativa de um momento, um contexto ou uma pessoa: ali são reveladas, pela sincronicidade da vida, uma imagem que nos traz em que estágio humano nos encontramos e com qual contexto teremos que lidar, para desfrutar ou superar níveis psíquicos ou na realidade momentânea, em prol do enriquecimento do ser, da alma e da vida. Nós humanos somos apenas personagens mitológicos vivendo uma vida real no aqui-agora.


O uso do tarot como o conhecemos hoje só veio a surgir mais recentemente no curso da humanidade, pois só fazem alguns séculos em que foi criado por pessoas ligadas à alquimia e saberes mágicos ancestrais, mesmo que na história humana ele tenha surgido muito mais antigamente. Podemos remontar aos tempos da antiga Atlântida, em que  já se utilizavam as cartas do tarot e baralhos como ferramentas de decodificação da realidade de vida e contextos momentâneos particulares e indo além, eram usados também em níveis coletivos, dependendo das necessidades humanas ali a cada tiragem. O tarot, como oráculo e instrumento de leitura metafísica contextual, é uma das ferramentas mais ricas dentre todos os saberes ancestrais e possuem ao redor do mundo outros similares, em diversas culturas do planeta, com moldes oraculares únicos para leitura, incluindo objetos para além das cartas. Como é o riquíssimo iChing chinês, em que são usadas moedas impressas com símbolos específicos de elementos da natureza e associados a estruturas da vida, que por sua vez estão associados a vivências de contextos humanos e, por fim, em interpretações particulares, com lições e orientações para o indivíduo e sua caminhada única. Outro exemplo são os jogos de búzios, advindos das religiões africanas e afro-brasileiras, que utilizam jogadas e posições específicas dos búzios a cada configuração do jogo, uma técnica que remete ao enraizamento na realidade característico das vivências dos povos africanos, em seus modos particulares de vida, seus contos mitológicos e suas geografias.


Números: o processo de individuação

As habilidades do eu desenvolvidas passo a passo


Agora vemos os números, esses que extrapolam a matemática, geometria, física e ciências do cálculo, os números são expressões extremamente ancestrais, que rememoram à existência de humanos em seu princípio, assim como as línguas e escritas antigas. Os números arábicos (os que usamos em todo mundo contemporâneo) são uma construção da percepção do eu mesclado com a matemática e a utilização da contagem como recurso de sobrevivência. Aqui na leitura do saber ancestral, não podemos dissociar números de compreensão da vida e do desenvolvimento do eu, e para isso vamos decifrar cada unidade com seu desenho, no qual conhecemos hoje corriqueiramente: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0. Primeiro, vemos o número 1, que representa o eu em seu eixo, único, particular, avulso. Aqui vemos o princípio masculino de projeção, de falo, de obelisco, de imponência e afirmação: o 1 é o eu em sua individualidade e no próprio eixo, um encontro consigo mesmo. O 2 já chega se contorcendo e dualizando o eu com o outro, é o princípio feminino de receptividade, é a dualidade da realidade concreta com seus diversos desafios, é o encontro do eu com o outro, do eu com o mundo. O 2 representa tudo que pertence a mim versus o mundo exterior a mim, é o eu diante do mundo e da porção dual de tudo: o 2 é parceria, é encontro e é desafio de se viver em um mundo dual, yin & yang. Chegamos ao 3, este ligado ao ponto de fuga do desenho, ao ponto de aprofundamento, ao triângulo como geometria da 3a dimensão (a dimensão da profundidade). O 3 possui um desenho de três pontas e duas curvas, o infinito que se abre ao diálogo e, a partir do diálogo, se abre ao raciocínio, à troca e à diversidade ao qual se depara o eu, quando se expande para além da parceria do eu com o outro do 2: o 3 é intelecto, troca e comunicação.


O 4 então participa da realidade como construção, como os 4 prontos cardeais, que orientam as navegações e trâmites humanos no planeta, são os eixos de sustentação do eu na cruz do mundo, do concreto, da vida encarnada: o 4 é o quadrado, que sustenta, define, mas limita. Vemos então o 5 e percebemos uma curva aberta e um quadrado aberto, é a percepção de que o eu tem sim a liberdade de mesclar a sensibilidade do mundo simbólico e metafísico ao se curvar diante do sagrado, com a racionalidade dos eixos do quadrado. Aqui vemos um grau maior de sofisticação da percepção em até onde o eu pode ir, ele pode ser livre, pode quebrar regras e expectativas, pode se recriar ao seus próprios moldes e reconstruir sua vida com mais autonomia: o 5 é liberdade, é criação e desenvolvimento para além dos limites da realidade. O 6 então nos diz sobre o círculo que circunda o eu, é quando o mundinho de si tangencia o padrão circular e se abre ao coletivo, à família, ao grupo dos amigos, ao campo sistêmico e à coletividade ao redor. O 6 sai de si para entregar seu melhor ao coletivo, a algo maior a si mesmo, mas ainda dentro o universo físico, corpóreo e daqueles que vivem no entorno: o 6 traz a participação do indivíduo junto a outros indivíduos e que todos juntos são mais fortes, porque compõem um coletivo. O 7 se ergue novamente e entende que o eu pode se fechar um pouco em si mesmo para entender o mundo mais além, ele baixa a cabeça e serve à vida em oração, em recolhimento, em serventia ao sagrado: o 7 é o eremita dos números, o sábio, o ancião, o sacerdote, aquele que reverencia o sagrado que mora dentro do eu.


O 8 já mostra dois círculos fechados, o infinito em pé e em eixo, é o desenho vertical do tiroide ou da aura, mas que em pé tem um significado de fortalecimento do eu. Aqui o 8 quer crescer no mundo, trazer para si o melhor dos mundos, a melhor realidade e quer espaço de honrarias daquilo que a realidade material pode ofertar, o 8 se fecha e cresce para si mesmo: o 8 é conquista da boa reputação, é o conforto da matéria e os aplausos do mundo, um infinito de si mesmo. O 9 então chega ao momento de atravessamento do divino, ao inverso do 6 ele se abre e tangencia o círculo para um coletivo metafísico e não físico. Ele chega e nos convida a orar, não como o sacerdote 7 de cabeça baixa, mas sim como uma expansão do seu umbigo como umbigo do mundo: o 9 é o mundo inteiro dentro do eu, é a experiência do divino particular e o encontro com o oceano do além mundo, da teia de conexão espiritual que nos une a todos. E por fim chegamos ao zero, que poderia estar antes do um, afinal muitos dos construtos humanos contemporâneos seguem a linha 0 1 1 0 0 1 1 0… etc. para além disso, o 0 é o todo, é tudo e é nada, é a completude e a ausência, é a existência inteira reunida em um único símbolo. O zero 0 é o princípio e o fim, é quando tudo está tão preenchido que esvazia, é a conjunção da matéria e da não matéria, da física e da metafísica: o zero 0 é o círculo que se fecha em si mesmo, é ovo de proteção de tudo e cada coisa, e para onde tudo retorna, ao nada. A partir dessa reflexão sobre os números arábicos básicos, podemos compreender todo o processo de desdobramento do encontro do eu consigo mesmo, um desenrolar do desenvolvimento do eu, ao se encontrar com os muitos aspectos elementares da vida e, por fim, ao retorno a si mesmo, como processo de individuação.


Palavras: a lógica humana da etimologia verbal

Experiências, percepções e visão da vida em cada som


Chegamos enfim à mais incrível das criações humanas ancestrais: a palavra. Sim, depois da domesticação do fogo, da criação da roda, os seres humanos passaram a construir a comunicação em seus elementos-base e básicos para fins de sobrevivência. Dos murmúrios e gestos aos sons mais abertos e a junções de sons com significados específicos, foi assim que surgiu a linguagem humana em todos os recantos do planeta Terra. Cada aglomerado humano, vivendo espalhados pelo mundo, foi então construindo seus sons atrelados a significados universais e a vivências ali daquele início da humanidade. Foi dessa forma bem primordial, que hoje podemos dizer “casa” em uma língua ou outra, além de terem muitas línguas com origens comuns, que dividem o mesmo nome ou sons similares para dizer a mesma coisa. Sem dizer das diversas escritas… coneiforme, arábicas, persas, orientais (e muitas outras) e o alfabeto romano, o qual usamos coletivamente como linguagem universal, nesse mundão globalizado contemporâneo em que vivemos. Imaginemos o salto de consciência magistral que foi a criação coletiva da palavra, da fala, do verbo e posteriormente da escrita, é algo tão gigante para a construção da existência humana que muitas vezes me deixa sem palavras (pura ironia da vida).


Muito além do que imaginamos ser apenas sobrevivência (e foi também) a construção da linguagem, cada som que construiu a etimologia das palavras é um mundo de aprendizado da essência da existência, um imprimir em cada radical, prefixo e sufixo significados que vão a uma profundidade inesperada, mas que estão conjugados com a vida humana em sua multiplicidade de experiências universais. Aqui o alfabeto, as vogais e consonantes, as sílabas e etc, além de toda a gramática e dicionário, tudo tem um profundo significado humano, que explica a vida em suas diversas nuances. Como exemplo podemos usar a palavra “existir” que vem do grego ex = fora e do indo-europeu sistere = estar em eixo, existir então significa sair da estabilidade e ir para fora. Vemos então que nessa palavra do português (e outras línguas latinas) há um significado tão amplo, que podemos escrever um livro só sobre isso e que pode ser resumido em “existir”: sair do seu estado de inação, estar em eixo no seu próprio eu, mas sair em busca do mundo, das experiências da existência, sair do seu estado inerte e parado para um estado de movimento, de expressão do eu e experimentação da vida, do mundo. “Existir e existência” é algo mais do que respirar e ter um corpo guiado pela mente individual, é sair de si mesmo, é transbordar para o mundo, é ousar transgredir um estado paralisado e impossibilitado de mudança e se externar na vida. Existir como etimologia é experimentação, em toda a riqueza possível de se estar vivo. É com essa interpretação, que podemos perceber como a etimologia das palavras e a linguagem humana são juntas algo tão superior e tão maior, que fica empobrecido dizer que é apenas uma forma de as pessoas se comunicarem. Os sons foram criados para ser possível compreender a vida e a jornada humana de autodescoberta ao expressar cada palavra.


Sonhos, imagens, sincronicidade, sincronizações e mensagens subliminares

A percepção do mundo interior vista no mundo exterior


Neste ponto, iremos unir no significado de “imagem” como um resumo de tudo que surge nos sonhos, nas sincronicidades e diversos fenômenos com origens não causais e que servem como referência de desdobramentos para a interpretação da vida e da compreensão dos processos inconscientes, diante dos fenômenos do mundo. A imagem é um recurso muito mais profundo do que imaginamos, pois a visão é um recurso da alma, não do olho como órgão físico, afinal temos visão e imaginamos e vemos imagens em sonhos mesmo se não for possível enxergar com os olhos abertos. A imagem então é um recurso interno e que pertence à imaginação, uma expressão da alma e do eu mais profundo. E é exatamente por isso que o surgimento diverso de imagens ao redor, no caminhar da vida, é tão revelador sobre nossos processos insconscientes, e por isso também é tão revelador sobre nossa psique e nossa participação como eu perante a vida, perante o mundo. A imagem como recurso de decodificação da existência, em seus múltiplos contextos, surge então como uma ferramenta de correspondência simbólica com fenômenos universais, vividos e registrados arquetipicamente ao longo da ancestralidade humana. Claro que foram precisos muitos séculos e muitos estudos para desvendar os processos psíquicos humanos (à luz da ciência) para se chegar à compreensão disso, em especial nos conhecimentos da psicanálise e psicologia analítica, desde o último século.


A imagem então é uma revelação de correspondência simbólica, seja do eu interior com o mundo exterior, seja de processos exteriores com a construção contextual a que estamos mergulhados, seja uma captação da psique sobre o mundo externo e isso ser capaz de se mesclar com todo o universo interno do eu, tornando assim um agente catalizador de processos profundos da vivência particular. A construção imagética, em suas múltiplas representações, é um dos recursos mais nobres do desenvolvimento humano e atravessa o tempo e o espaço, conjugando elementos universais arquetípicos da existência de toda a humanidade, desde o começo dos tempos, com elementos particulares da experiência de vida individual ou que envolve um certo coletivo que circunda o indivíduo. A imagem aqui pode vir de muitas formas, inclusive em outros nichos do saber simbólico ancestral e místico que já foi falado aqui, como astrologia, tarot e oráculos, números e numerologia, dentre outros não mencionados, mas neste ponto estou basicamente me direcionando aos sonhos, sincronicidades e sincronizações, mensagens subliminares e artes visuais, ou tudo que representa uma imagem visual no mundo e na psique. A capacidade humana de decifrar imagens e dar-lhes significado está colada com a capacidade humana de se desenvolver, ao longo de sua jornada de vida (ou seria a jornada do herói?). Sim, viver e existir é algo muito mais do que respirar e sobreviver, é dar significado a cada experiência e se permitir ser transformado por ela, é ser atravessado pelos múltiplos códigos que nos envolvem e assim nos construir e reconstruir a nós mesmos, sempre nos direcionando a uma versão cada vez mais rica e aprimorada do nosso próprio eu. 



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A Jornada do Herói (também conhecida como Monomito) é um modelo estrutural de narrativa cíclica comum em mitos, filmes, livros e lendas, formalizado pelo mitologista Joseph Campbell em seu livro O Herói de Mil Faces (1949).

A premissa básica é que o protagonista parte de seu mundo comum, enfrenta uma série de desafios e provações, passa por uma grande transformação e retorna para casa renovado ou transformado.


As 12 Etapas da Jornada do Herói

O modelo clássico de 12 passos divide-se em três atos principais:


Ato I: A Partida (ou Separação)

  1. Mundo Comum: O herói é apresentado em sua rotina normal, geralmente com potencial não realizado ou insatisfeito com algo.
  2. Chamado à Aventura: Um problema, evento ou mensageiro rompe a paz do mundo comum e apresenta um desafio.
  3. Recusa do Chamado: Com medo ou hesitação, o herói inicialmente resiste à mudança ou à missão.
  4. Encontro com o Mentor: O herói encontra uma figura sábia que oferece conselhos, treinamento ou um objeto mágico para ajudá-lo.
  5. Travessia do Primeiro Limiar: O herói abandona seu mundo seguro e entra no mundo desconhecido e especial. 


Ato II: A Iniciação (ou Desafio)

  1. Provas, Aliados e Inimigos: No novo mundo, o herói aprende as regras, faz amigos, encontra rivais e enfrenta pequenos obstáculos.
  2. Aproximação da Caverna Secreta: O herói se prepara para o desafio maior ou o covil do antagonista.
  3. Provação Suprema: O clímax da história; o herói enfrenta uma crise de vida ou morte, um grande medo ou um inimigo poderoso, saindo transformado.
  4. Recompensa (Conquista do Espólio): Após vencer a provação, o herói conquista o objeto, o conhecimento ou a reconciliação que procurava.


Ato III: O Retorno

  1. Caminho de Volta: O herói precisa retornar ao mundo comum, muitas vezes perseguido ou sob novas pressões.
  2. Ressurreição: O último teste de grande perigo, onde o herói morre simbolicamente (ou literalmente) e renasce como uma nova pessoa.
  3. Retorno com o Elixir: O herói volta para casa transformado, trazendo consigo o "elixir" (sabedoria, cura ou solução) capaz de beneficiar todo o seu povo. 


Aplicações Práticas

  • Cinema e Literatura: O conceito é amplamente reconhecido em grandes sucessos como Star Wars(Luke Skywalker), O Senhor dos Anéis (Frodo) e Harry Potter.
  • Storytelling e Marketing: Empresas utilizam a estrutura para criar conexões emocionais, colocando o cliente como o herói da história e a marca como o mentor que oferece a solução.