A partir de onde tudo surge e para onde tudo retorna
Quando pensamos em vida, imaginamos um corpo pulsante, uma mente ativa e muita energia em movimento. Pensamos nos reinos orgânicos: animal e humano, vegetal e nos micro-organismos vivos. Mas quando pensamos em morte, logo imaginamos um corpo inerte, apenas matéria, sem a mente, sem alma, sem movimento. O que difere um do outro é a conjunção de elementos que ali dão vida à matéria, que encorparam, que trazem pulsação, energia, movimento e sopro de vida, força de existir. Devo salientar que não pretendo adentrar os temas das dimensões espirituais, pois inclusive já escrevi sobre isso bem a fundo aqui neste blog, no texto: Eclipses, um portal entre dimensões. Mas sim, pretendo trazer o tema dos elementos que constituem a vida, na Terra e fora dela, os quais pertencem a todo o universo. Para além disso, vamos mergulhar no fato de que a vida é uma combinação e organização sofisticada da conjunção de todos eles atuantes, em circulação e composição bioquímica dos cinco elementos. Elementos esses que são originados pelos cinco sólidos básicos da geometria sagrada do universo - referenciados aqui na filosofia atlante, da antiga Atlântida. Neste ponto irei extrapolar os quatro elementos da astrologia, pois trago o éter como elemento de vida (o quinto elemento), o que traz a vida, e que nos conduz à percepção de que, sem ele, sobram os quatro elementos, de onde tudo surge e para onde tudo retorna, após o fim de uma vida.
Podemos observar então que, um corpo para surgir, precisou de um ser etéreo que ativou uma faísca de vida (o fogo) a partir de uma célula-mãe de DNA. A partir daí foi sendo agregado e constituído pouco a pouco uma configuração interelementar, uma junção cada vez mais ampla dos elementos terra, ar, água junto ao fogo inicial, de onde surgiu o pulso de vida. Vemos então que a geometria sagrada, a partir da qual os elementos da natureza surgem, se mesclam e se intercombinam a todo momento, em cada célula, para fazer surgir um humano, por exemplo. Da essência do ser, vinda da eternidade (no plano imaterial), surge o éter (no plano material), configurando o octaedro: duas pirâmides juntas na base, uma virada para cima e a outra de ponta cabeça, virada para baixo, um sólido de 8 lados. Do éter (ou essência de vida) surge uma ativação da dupla hélice de DNA, a chama sagrada que constitui a origem de uma nova vida em um corpo. O éter então anima o fogo a pulsar e existir, trazendo a partir do octaedro o tetraedro: um sólido que parece um humano sentado em posição de lótus, um sólido com seus 4 lados triangulares. Do fogo da semente de uma nova vida, surge um multiplicar dessa semente em muitas outras (na multiplicação celular), um agregar dos elementos água, terra e ar ao fogo inicial, definindo assim como se formará um novo corpo a partir da primeira célula. Ou seja, desse momento inicial, vemos os quatro elementos da astrologia surgirem como constituintes desse ser, uma combinação sempre única, mas que traz a chama da ancestralidade nos registros do DNA - afinal, é a partir do calor que emite um ser pulsante, que percebemos se ali há vida ou não.
A geometria dos 5 sólidos principais, pode ser chamada de sagrada por um motivo bem simples: a partir delas tudo surge, cada átomo, cada elemento químico e cada um dos elementos da natureza, cada ser vivo e cada componente da realidade concreta. Somos todos construtos vindos dos minerais da Terra, que por sua vez se constituiu em bilhões de anos, através dos elementos que vieram do espaço. A terra da Terra surgiu da colisão de outras rochas que flutuavam no espaço sideral, o fogo surgiu de tempestades solares, a água surgiu da colisão de cometas trazendo água congelada para este planeta e o ar, que constituiu a atmosfera, surgiu ao evaporar água alquimizada com elementos químicos, a partir da combinação incessante do elementos fogo, terra, água que estavam ali, se misturando no início da Terra - como um novo planeta do sistema solar. Eu sei que nós humanos nos achamos seres especiais e que somos a mais importante espécie deste planeta, mas isso não passa de ingenuidade nossa. Somos apenas uma espécie a mais, dentre todas as outras, as quais a Terra permitiu brotar dela e a partir dela, sabendo que iremos todos partir desse corpo um dia e toda a matéria orgânica que nos constituiu irá retornar para a origem: a Terra. Fomos constituindo nosso corpo desde a primeira célula, desde nossos ancestrais, a partir da incorporação de alimentos, líquidos, respiração, absorção de raios solares e combinação orgânica com outros seres - tudo e todos vindo de tudo aquilo que o planeta Terra produz, da natureza e dos elementos. Somos sim poeiras estelares, pois a Terra e tudo que a compõe se originou de elementos vindos do espaço sideral.
O fogo e o tetraedro -> um sólido de 4 lados triangulares: a posição de lótus
A faísca divina, o corpo espiritual e as hélices de DNA, a vista como sentido
O fogo como elemento de vida pode inicialmente nos remeter ao sol e ao calor, e isso tem uma lógica, pois foi daí que surgiu o elemento fogo como um dos mais perigosos da Terra. O fogo é tão perigoso que tudo que ele toca simplesmente desaparece. É uma benção diária sermos todos protegidos de um desastre com o fogo e ainda assim usarmos ele todo tempo em muitos dos construtos humanos desde a mais remota existência na Terra. Mas o fogo é o elemento mais importante na combustão, na alquimia, seja na busca de construir objetos para facilitar a nossa vida, seja na nossa cozinha de todo dia: não temos como nos alimentar a cada 3 horas sem preparar comidas que foram levadas ao fogo e dessa forma se transformaram em alimentos prontos para serem digeridos da melhor forma pelo nosso corpo humano. Sim, o fogo é vida. E não só por nos trazer o alimento pronto e saboroso, mas porque ele foi o elemento no qual brotou a vida. Pulsamos por causa da força do fogo que ativa nosso coração e todo DNA que nos compõe, na pulsação do sangue e circulação de informações por entre as células. Na natureza é o mesmo. O sol nos traz calor e luz todo santo dia e alquimiza a existência com seus raios: nada sobrevive sem a luz solar neste planeta. Afinal, já reza a filosofia que o sol brilha para todos e é verdade. O tetraedro é o desenho geométrico do humano em posição de lótus, uma metáfora linda com o encontro consigo mesmo, com o retorno ao Self, que na astrologia nada mais é que o sol no mapa astral. Ironia da vida? Pode ser, mas na vida nada é por acaso, então o retorno ao centro é o retorno ao princípio da existência pessoal, ao pulsar do coração, ao honrar as informações do DNA recebidas por nossos ancestrais, ao honrar nosso eu mais profundo, a nossa chama divina e nosso pulso de vida. Tum-tum.
A terra e o hexaedro -> um sólido de 6 lados quadrados: o cubo
A cruz da realidade, o corpo físico e as estruturas, o tato como sentido
A terra é então o elemento que nos parece ser mais abundante, já que os minerais nas rochas são o que nos permite estar aqui, por compor cada célula em sua constituição concreta. Nos parece e é, o planeta Terra possui mais terra mesmo, mais minerais em rochas do que os outros elementos - embora muita gente ache que é a água, por causa das imagens vistas do espaço, mas a água só consegue estar nos pontos mais superficiais do planeta, mais ao centro temos somente terra e fogo combustos entre si. No corpo humano a terra é o próprio corpo, que se constitui em matéria palpável, é a nutrição de vida que permitiu o DNA se tornar o seu melhor, neste humano que somos nós. A parte terra do corpo (e de tudo que existe vivo neste mundo) é o único elemento que irá sobrar e permanecer mais tempo para se decompor com o partir da vida, que um dia o fez pulsar. Vai-se o éter (21g a menos, é o que perdemos ao falecer), vai-se o fogo (o coração para de pulsar), vai-se o ar (nosso pulmão para imediatamente de oxigenar as células), vai-se a água (esfriamos e ressecamos muito rapidamente) e então fica a terra. Em outras palavras, vai-se o éter e volta para a eternidade, vai-se o fogo e o DNA para de circular informações, vai-se o ar e ali para de ter uma mente pensante, vai-se a água e não há energia nem movimento naquele corpo inerte: fica somente a terra e sua estrutura. Sim, a terra é estrutura, é realidade, é concretude e é corpo. É a cruz da realidade e das 4 coordenadas principais dos eixos da Terra: norte, sul, leste, oeste. E o hexaedro possui na imagem do cubo 4 pontas, para nos guiar pela vida, assim como os pontos cardeais guiam os seres humanos nas navegações e trâmites planetários. É na terra que nos locomovemos e vivemos, que podemos usar nossos 5 sentidos e recebemos a vida em sua concretude.
O éter e o octaedro -> um sólido de 8 lados triangulares: as pirâmides
A essência do ser, o corpo etéreo e a eternidade, o olfato como sentido
O éter é o elemento extra aqui nesta lista, o que extrapola a astrologia e seus elementos terrenais, aqui temos o quinto elemento, como constituição e conceito. Como conceito é mais fácil de compreender, já que podemos entender a vida em sua alegoria com a essência de uma flor, com seu perfume etéreo e seu aroma, com tudo aquilo que nos encanta em existir. É o elixir da vida: o perfume da pele de uma pessoa que amamos, é o aroma de uma comida, é o cheiro de terra úmida pela chuva, são as memórias de infância, que são evocadas por aromas, odores e cheiros - o quais são ativados ao nos aproximar de qualquer coisa no agora, que possua um aroma similar ao que esteve atrelado a uma experiência de outros tempos em nossa vida. O olfato é o sentido mais rico dentre todos os outros e o que tem a capacidade de guardar um leque mais amplo de informações sensório emocionais - muito da nossa psique individual pode ser desvendado só com o acesso aos odores e aromas de nossa vida. Mas o éter vai além, o éter fala de eternidade. Deve ser por isso que o olfato seja tão rico como sentido, talvez porque ele registra o eterno em nós, o eterno na vida. E aqui podemos entender que na existência o eterno é o que molda o corpo vivo, que o eterno é o que acessamos no sagrado e na sacralidade dos cristais, das pirâmides, dos templos. O eterno é o que parte quando a vida parte de um corpo: ali fica só o que é possível de se decompor, ficam só os outros 4 elementos. O que parte também é o que chega no começo de uma nova vida, em um DNA que foi despertado em uma célula-mãe, o que acorda uma semente a desabrochar como planta e depois como flor - nos presenteando com sua essência de existir: seu aroma.
A água e o dodecaedro -> um sólido de 12 pentágonos: a bola de futebol
A alma, o corpo emocional e os sistemas da vida, o paladar como sentido
A água é um elemento sagrado, não porque estamos falando de geometria sagrada, mas porque ela traz o divino para a vida, traz o mistério da vida, traz a combinação entre elementos químicos e o surgimento da matéria orgânica desde o princípio da Terra, como rocha flutuante no espaço. A água dilui, dissolve, mistura, absorve e é absorvida, a água é vida e é transbordamento de existir: nas emoções da vida transbordamos em alegria e tristeza ao deixar correrem as lágrimas, na natureza as emoções transbordam em chuvas, nas marés e correntes oceânicas, no fluxo dos rios e em tudo mais que contém e transborda a água. Água é emoção e, se estagna, ela apodrece. Sim, as emoções podem apodrecer a alma e o corpo, ao estagnarem a dor em matéria e então em doença. Assim como água estagnada na rua vira foco de mosquito, na terra vira lama, na natureza vira pântano. Mas não precisa ser sempre assim, podemos fluir em nossas emoções e nos deixar sermos atravessados pelas correntes emocionais momentâneas, sistêmicas e interpessoais, sem que com isso nos deixemos arrastar pela lama da densidade alheia. Podemos inclusive saborear a vida e digerir alimentos com ajuda da água do nosso corpo, que está aqui para isso: para limpar, dissolver, hidratar e fazer circular vida, nutrição, informação genética e soluções da própria sabedoria orgânica do corpo, de resolver tudo da melhor forma - que é expulsando o que não serve nos excrementos corpóreos. Nas emoções é do mesmo jeito, somos convocados a transbordar em lágrimas um momento de dor e deixar ir o que estiver estagnando nosso movimento de vida, para então deixar fluir a densidade e limpar nossa alma de tudo que nos impede de continuar saboreando a vida da melhor forma.
O ar e o icosaedro -> um sólido de 20 lados triangulares: a bola de basquete
A mente, o corpo intelectual e o sopro de vida, a audição como sentido
O ar nos permeia sem ser percebido, assim como o intelecto se constrói na vida por associação. Isso mesmo, respiramos uma associação de ares e filtramos só aqueles que nos ajudam a manter o corpo vivendo, o resto sai na expiração do mesmo jeito que entrou pela inspiração. Respiramos para viver, mas respiramos também para nos conectar, afinal é através do ar que o som se propaga e conseguimos ouvir com nossos ouvidos humanos. Ouvimos também com nossas crenças e referências internas daquilo que nos constitui psiquicamente, pois nossa mente contém um filtro de sistemas simbólicos próprios, que nos referenciam diante da vida e foram construídos na infância, se mantendo na existência particular por todo seu caminhar. Mas podemos também nos lapidar, ao nos permitirmos fazer novas rotas cerebrais (em novas conexões interneuronais) e em nossos passos, a cada novo circuito de vida, a cada nova experiência e novas vivências: possuímos uma neuroplasticidade quase infinita, se nos permitirmos abrir nossa mente a novas ideias, novos sons e novas percepções da existência. As crenças, que um dia foram definidoras de nossa percepção da vida, podem muito bem circularem a cada nova corrente de ar, com o passar de uma ventania que sacode tudo. Podemos também atravessar um furacão, um tornado em que um turbilhão de novas percepções são ativadas e despertadas na consciência como aprendizados. Há tempos que vem assim, rodeando no ar tudo que achamos ser fixo ou definido, mas que não passam de meros contornos pessoais de vida, que passam e se refazem, deixando um novo sopro e alento para nosso caminhar.



























