Translate

ARQUIVO DE ESCRITOS ANTERIORES | mais infos na barra lateral

terça-feira, 3 de novembro de 2026

AS CASAS ASTROLÓGICAS DO MAPA ASTRAL

Casas: a parte mais concreta e contextual do mapa

Na leitura de mapa astral, em algum momento nos deparamos com as casas astrológicas ao observarmos a mandala do mapa, porém nem sempre percebemos qual nível de compreensão elas trazem para a leitura. Neste ponto, é importante diferenciarmos a atuação simbólica das diversas camadas e níveis de construção dos símbolos do céu retratados ali no mapa astral: os signos trazem informações diferentes das dos planetas, que por sua vez se diferem das informações trazidas pelas casas. Afinal, ao afunilarmos nosso olhar do céu para a Terra e para onde estamos, podemos perceber que os signos e constelações estão além (por fora, mais distantes e externos) ao sistema solar, por sua vez os planetas no sistema solar estão externos à Terra, que por sua vez possui ao redor do globo eu e você morando em cada coordenada geográfica. Somos nós que observamos o céu de onde estamos e, nessa observação, desenhamos este céu visto no aqui-agora da localidade onde nos encontramos (com as coordenadas geográficas locais). Por fim, temos o desenho do mapa astral desse espaço-tempo. É por isso que para se fazer um mapa, precisamos de dia, mês, ano, hora exata e local onde ocorreu um fenômeno a ser observado através da leitura de mapa astral. A leitura do mapa é então uma síntese de todos esses pontos ali desenhados, uma síntese de cada ponto do céu, que está discriminado separadamente na figura do mapa.

Casas, planetas e signos: quanto mais distante mais sutil

Para fins de aprofundarmos essa compreensão, é importante entendermos que a lógica astrológica segue a linha de que, quanto mais distante no céu, mais sutil e subliminar é sua atuação, porém, quanto mais próximo da terra onde pisamos, mais concreto e palpável é a sua atuação na vida. Nessa linha, vemos que os signos estão ocupando um setor mais distanciado e cíclico do céu (ligados às estações do ano) e atuam em uma escala mais sutil, arquetípica e mental na astrologia. Funcionam como um sistema simbólico universal, no qual todos os 12 signos estão sendo configurados em posições específicas do mapa, considerando o ascendente o início da roda astrológica. Apesar de termos todos os signos configurados na leitura do mapa astral, somente aqueles que estão sendo ativados pelos eixos e por planetas localizados em signos específicos, é que estão em maior atuação dentro do contexto desse céu (desse mapa astral). Em uma camada mais próxima de nós, está a configuração dos planetas no sistema solar, que pontuam um campo mais energético, anímico e personificam atuações mais humanas, se considerarmos cada planeta junto aos seus arquétipos correlacionados na mitologia greco-romana. Neste ponto, vemos cada configuração planetária desse céu ali sinalizando quais conexões são estabelecidas entre esses traços anímicos entre si (as configurações entre os planetas), que qualificam os traços de personalidade particulares deste mapa astral. E por fim vemos as casas, que estão correlacionadas com espaços físicos e nichos da realidade mais mundanos e concretos, são os temas de vida particulares da realidade prática.


As coordenadas geográficas: o espaço-tempo local no globo terrestre

Em síntese, podemos entender que, na mandala, os signos ocupam o plano sutil, mental e metafísico do mapa astral, que a configuração entre planetas sinalizam o plano energético, emocional e anímico ali referenciado no mapa, as casas então nos trazem os pontos mais mundanos, materiais e físicos da mandala astrológica, são os temas da vida prática. Com isso, cada casa nos apresenta uma parcela da realidade com a qual temos que lidar cotidianamente e, se estão sendo ativadas por planetas em seus signos no mapa, essas casas e esses temas tornam-se mais que relevantes para a configuração geral de vida de quem o possui. Se for um mapa natal de uma pessoa, as casas ocupadas por planetas sinalizam temas de vida atuantes, relevantes e pulsantes na vida dessa pessoa. Isso ocorre porque as casas estão referenciadas ao planeta Terra e sua configuração no mapa astral está vinculada às coordenadas geográficas de cada lugar, o que puxa esses temas para o terreno, para o concreto e para a realidade. Ou seja, as casas astrais são posicionadas no mapa de acordo com a hora e local que um fenômeno aconteceu em um ponto específico da Terra e assim qual céu estava sendo visto dali naquele espaço-tempo. Pois, a cada aqui-agora, o céu (que está configurado no espaço sideral exterior à Terra) está sendo visualizado em cada ponto do planeta Terra de forma diferente.


Espaço-tempo: em cada agora vivemos contextos diferentes ao redor do globo


Cada agora da existência está acontecendo em momentos diferentes no correr do dia de acordo com cada localidade do planeta. Por exemplo, eu estou aqui neste momento no Brasil e é de tarde (o sol então está no 3º quadrante de casas do mapa, quadrante referente à tarde), uma pessoa vivendo este mesmo agora lá na ilha de Galápagos está vivendo a manhã (com sol no 4º quadrante de casas, referente à manhã no mapa), uma outra pessoa no Japão está dormindo neste agora durante a madrugada (com o sol no 1º quadrante de casas, o quadrante que se refere à madrugada), já uma outra que está no Egito agora está curtindo a noite (com o sol no 2º quadrante de casas, o que se refere à noite). E essa diferença de horário entre uma localidade e outra modifica a posição de eixos e casas no mapa astral, assim modificando onde e como cada tema da vida se configura ali diante daquele céu. Por isso também que, em um mesmo agora ao redor do mundo, temas diferentes da vida são vividos e ativados, já que os planetas estão ocupando casas (temas) diferentes da vida no mesmo agora, dependendo de cada coordenada geográfica - afinal, a cada turno do dia somos convocados pela a vida a viver temas diferentes e de acordo com o turno, concorda?


Os temas universais de cada casa astrológica:


Casa 1: a porta de entrada da casa e a fachada

Como se configura a nossa imagem externa, projetada


Aqui adentramos o mapa, é o marco zero e começo do 1º quadrante (o que corresponde à internalização do eu para si mesmo): no céu é o horizonte leste, onde nasce o sol e dá-se início a um novo dia. Esta é a porta de entrada para a vida, já que este ponto sinaliza o parto, a primeira respiração do ser humano ou o marco zero de alguma coisa que surge no mundo. A partir daqui, o mapa nasce e se expõe. Por isso que é a fachada da casa, é a imagem externa, a identidade, o visual projetado para ser visto por fora ou como deseja ser visto e interpretado como persona para o mundo. Aqui trazemos o melhor do signo e planetas (se tiver algum) localizados neste ponto do mapa. Por estar ligada ao parto e ao surgimento da vida individual, está também relacionada ao corpo físico, à concretude do corpo e aos trejeitos. O rosto, a pele, as linhas do corpo e o movimento estão todos retratados nos símbolos localizados aqui no mapa astral. Para além disso, aqui é um setor de autonomia e autenticidade, de projeção e exposição. Este é um local de corpo, iniciativa e projeção física do mapa.


Casa 2: a abundância de objetos e os recursos guardados ali

O quanto de recursos materiais e talentos temos guardados


Aqui se apresenta a riqueza do mapa, é onde guardamos nossos melhores recursos e onde temos uma reserva de habilidades para serem despertadas e utilizadas no decorrer da vida. Neste ponto, podemos ser gulosos ou propensos a excessos, já que o que ganhamos, compramos ou guardamos pode se tornar um vício por acúmulo, um exagero de soberba. Esta casa (se bem ativada) também nos permite nos acalmar, pois existe aqui um grau de segurança que as posses representam na vida, deixando uma sensação que “vai dar tudo certo”, caso estivermos preenchidos de uma boa reserva material e financeira. Por outro lado, vemos que recursos imateriais podem se expressar como talentos e capacidades de nos desenvolver no mundo, construindo assim uma vida mais próspera com o passar do tempo. Aqui é um setor de sedimentação de acúmulos materiais e de possibilidades de desenvolvimento de tudo aquilo que possuímos como ferramentas de vida. Este é um local de recursos e abundância do mapa.


Casa 3: as portas, janelas, corredores e biblioteca

Os canais de comunicação e circulação com o entorno, aprendizados


Neste setor do mapa é onde nos articulamos na vida, nosso jeito de nos comunicar e como interagimos com o entorno, com a vizinhança, com familiares e pessoas da convivência diária. Neste ponto saímos a pé ou circulamos nossa energia ao redor, nas atividades de todo dia e na movimentação rotineira: comprar pão na padaria, ir ao supermercado, visitar alguém próximo, nos locomover em transportes, nosso local de trabalho, academia, parque, restaurantes e bares, etc. Aqui mostra nossa fala menos profunda e mais corriqueira, o tipo de bate-papo e conversa jogada fora. Quando excessiva ou negativamente ativada, aqui indica as fofocas sobre a vida alheia, os juízos de valor superficiais e distorcidos, a circulação de informações íntimas que saíram do circuito familiar e caíram na língua maliciosa do povo do entorno. Neste ponto também temos as artes da palavra e da escrita, do ensino e aprendizado, da articulação verbal e os dons da voz. Este é um local de troca, fala e movimento do mapa.


Casa 4: o terreno onde foi construída

O enraizamento do ser, a psique individual e suas origens estruturais

Aqui vemos o local mais baixo do mapa e por isso equivale ao enraizamento e alicerces, em qualquer nicho da vida, mas em especial e principalmente, o enraizamento familiar - é o início do 2º quadrante do mapa, o quadrante da internalização do outro no eu. No céu é o ponto do sol da meia-noite, o ponto de maior invisibilidade solar. Na vida, pode representar a mãe e o pai, ou a mãe ou o pai (dependendo de algumas correntes de pensamento astrológicas, isso pode variar), mas inegavelmente aqui se encontra a origem familiar. Além de trazer a pessoa do pai e da mãe em si, aqui fala do campo de ressonância familiar e o que foi ofertado de experiências na infância: é tudo aquilo que fica marcado no desenvolvimento inconsciente particular e sistêmico a ser trabalhado ao longo da vida. Neste ponto vale a frese memorável e sábia: a infância é o terreno onde pisamos a vida inteira. Os símbolos aqui apresentados definem (como alicerces de uma construção) como o mapa e a pessoa que o possui se sustentará ao longo da vida, em sua psique. Este é um local de arcabouço emocional e de onde tudo surge e para onde tudo retorna, é começo e fim de vida.


Casa 5: o jardim, o pátio, a piscina, brinquedoteca, sala de jogos

Os pontos de lazer, criatividade, romance: a criação e recriação de si mesmo


Neste ponto vemos tudo aquilo que transborda os afazeres rotineiros ou obrigatórios: aqui é desconstrução de padrões e criação de novos, que estão para além do previsível. Aqui é extravasamento de existir, ao se recriar a própria personalidade, que se diverge de tudo aquilo que foi recebido e ensinado no âmbito dos rigores socioculturais. Este ponto nos evidencia o ego e o Self, a construção do ego como estrutura do eu, mas que pode muito bem estar para além do ego mundano - quando se encontra e retorna a si mesmo, ao estar em eixo no próprio Self. Aqui o eu brinca de existir e se diverte com a vida e em cada momento. Quando bem ativada, esta casa apresenta os símbolos de expressão criativa, cultural, artística e expressa a personalidade. Apresenta também a criação dos filhos como uma extensão dos melhores atributos do eu. Neste setor o prazer pode extrapolar o limite do razoável e virar vícios, mas pode também se tornar uma forma mais rica de viver e existir, de entender a vida e participar dela com alegria. Este é um local de diversão e descoberta de si mesmo, ao se extravasar o eu nas habilidades artísticas pessoais.


Casa 6: a cozinha e área de serviço, os fundos da casa

A rotina e a vida prática, onde e como fazemos acontecer


Aqui vemos a rotina e a capacidade de resolver perrengues, consertar defeitos na realidade prática e de desenvolver uma rotina mais funcional. Dessa forma, se lapida tudo que pertence à construção da vivência rotineira, desenvolvendo rituais que estabilizam a mente e facilitam o correr das atividades diárias: se alimentar, dormir, cozinhar, limpar a casa, lavar roupas, tomar banho, frequentar o banheiro, fazer compras de casa, ir ao supermercado, chamar pessoas para consertar objetos, fazer atividades físicas, ir em visitas ao médico e profissionais da saúde etc etc etc. Aqui vemos a vida se construir em pequenos movimentos diários, que sustentam a sobrevivência, que parecem pequenos e insignificantes, porém e por fim são de suma importância e sustentam toda a estrutura de vida, na rotina e nos cuidados com o corpo e saúde pessoal. Este é um local de higiene, alimentação, rotina e saúde, de tudo que mantém a vida funcionando.


Cada 7: a sala de jantar e sua grande mesa posta

Como recepcionamos (da melhor forma) o outro em nossa vida


Neste ponto começamos a sair do nosso eu e da parte mais internalizada do mapa e saímos ao encontro do outro e do mundo, de tudo que externaliza o indivíduo: é o início do 3º quadrante do mapa e corresponde ao outro externo ao eu, ao outro por si mesmo. Aqui é onde fica (no céu) o sol poente e onde na vida recepcionamos as pessoas com as quais temos uma relação de diálogo, parceria e olho no olho, e tendemos a ofertar nossa melhor versão neste encontro. Neste setor de parceria, vemos os vínculos de união afetiva e fraterna, profissionais e amistosas, mas que em suma representam pessoas (em suas individualidades) com as quais nos relacionamos, trocamos parcerias e também contratos, ao fazemos acordos de boa convivência. O casamento é a melhor expressão disso, unindo parceria, afeto, contrato e acordo em uma só pessoa. Por isso aqui também se personifica como são as pessoas com as quais nos associamos na vida, qual o perfil delineado em nossos mais relevantes parceiros. Este é um local de moderação do eu ao encontrar o outro, ofertando a melhor versão de ambos neste encontro.


Casa 8: o quarto do casal e os outros quartos

A intimidade e os espaços de introspecção ou conexão com o interno de nós


Este setor nos fala do momento de intimidade e conexão com o outro. Quando saímos da superficialidade do encontro social ou contrato de união e partimos para a vida mais íntima, mais verdadeira e mais profunda: aqui é o encontro entre a psique individual e a psique do outro. Está também relacionada ao sexo, como ato mais íntimo entre dois seres humanos, mas pode muito bem significar a química pessoal de um encontro de almas. Aqui neste ponto, nós nos vemos vivenciando uma troca profunda e doando e recebendo nossas versões mais íntimas e (às vezes) sombrias. Nossas dores e delícias, nossas virtudes e vicissitudes, nossa luz e nossas sombras. Aqui é profundidade do encontro e da química entre duas psiques individuais, que constroem uma nova, um novo campo energético pertencente ao encontro. Este é um local de mergulho do eu com o outro, no qual se emerge um novo eu, mais rico e transformado.


Casa 9: a sala de visita ou local de recepção

A troca com o que vem de fora e nos traz boas novas


Aqui vemos um mundo se expandindo, ou melhor, o próprio mundo se expandindo: aqui é saber e sabedoria, é conhecimento e abstração, é sair de si para aprender a falar a língua do outro, a língua do mundo. Neste ponto vemos o crescimento e expansão da mente em recursos e habilidades metafísicas, em capacitações de se articular com o estrangeiro, seja de fora das bordas do país de origem, seja o que é estranho ao nosso mundinho conhecido de origem familiar. Neste setor vemos a vontade individual de ser uma versão melhor a cada dia, ao expandir a mente em ensino superior, em estudos universitários e em viagens para fora do país. Se bem ativado, este setor é pé no mundo, é mochila nas costas e receptividade de abraçar o outro que tem sua origem diferente da própria: em línguas, traços físicos, culturas, hábitos e geografias diversas. Em sua versão mais negativa, vemos a religiosidade distorcida, os dogmas e moralismos repressores da sociedade. Este é um local onde o estrangeiro encontra casa no mundo particular do eu.


Casa 10: o andar superior e o telhado (o que fica mais alto)

O que está acima, tudo aquilo que almejamos alcançar e fica às vistas do mundo


Este é um setor muito voltado para as conquistas do mundo, para a reputação e para a marca no qual se pode deixar como carreira e percurso de vida - é o início do 4º quadrante do mapa, aquele que representa o mundo e o coletivo externo ao eu. No céu este ponto sinaliza o zênite, o sol a pino, o meio-dia e o ponto de maior força e visibilidade solar. Na vida é neste ponto que vemos o olhar para o mundo como ele é, com suas hierarquias, como uma estrutura de escalada social rumo ao topo da escala de valores: sempre segundo uma lógica bem conservadora e limitante, de entender a vida e a organização sociocultural. Neste ponto é onde e como queremos deixar nossa melhor marca no mundo, aqui se personifica os símbolos que definem qual reputação deixamos em nossa caminhada de vida e através da carreira (ou da ausência dela). Aqui temos o olhar do eu para o mundo e o olhar do mundo para o eu, com seus rigores, limites e preconceitos, e é por isso mesmo que os símbolos aqui assinalados traçam como deixamos nossa marca no mundo, na intenção de deixar a melhor marca, nossa melhor versão. Este é um local aparências e de busca por honrarias, dentro do sistema-mundo como ele é, com suas hierarquias e escalada pelo poder.


Casa 11: o escritório, gabinete e sala de televisão

Como socializamos e construímos nossa rede de contatos ou comunidade


Aqui vemos o mundo como caldo cultural, como sociedade e coletivo, como um sistema de conhecimentos compartilhados e busca por evolução, progresso, superação. Neste ponto queremos mais do mundo, queremos mais que comida, queremos diversão e arte. Queremos ver no mundo uma versão prometeica da humanidade, uma versão que transcende o atual e transcende em muito o conservadorismo, a estratificação social e as hierarquias: aqui somos todos iguais e podemos todos chegar ao topo. Mas não pensamos a vida como uma expressão da nossa individualidade e sim uma expressão do humano que está aqui no eu, em sua melhor versão, um coletivo de indivíduos que juntos são mais fortes, por estarem juntos. Aqui podemos ver, na versão negativa, o movimento de manada, mas podemos ver, na versão positiva, os movimentos sociais que transcendem o tempo, transcendem as limitações de seu tempo e suas regras: aqui entendemos liberdade, igualdade e fraternidade como um direito de todos. Este local é de visão de futuro e transcendência dos limites coletivos do agora.


Casa 12: o banheiro, sótão e porão

Os pontos de exclusão, isolamento de tudo que nos constrange ou transcende 

Chegamos ao último ponto do zodíaco, aquele que se refere ao estágio final da gestação e que antecede e precipita o parto humano. Por isso mesmo que ele fala de um tempo antes e para além da matéria, fala do sono e dos sonhos, da metafísica da vida e sua amplitude de existência. Quando este setor está muito ativado, podemos ter um acesso direto ao mundo extra físico, além matéria, com as entidades espirituais não corporificadas e com tudo que compõe esse mundo das dimensões mais sutis que a matéria. Em sua versão negativa, temos aqui a perda o eu, a desconstrução do ego como individualidade do eu e porção da psique que nos mantém sãos, temos os vícios e dependências de qualquer espécie, como consequência dessa perda de si, do próprio eixo. Em sua melhor versão temos os telepatas, os artistas e músicos, os espiritualistas não religiosos, temos as pessoas que recebem e canalizam informações etéreas, do além mundo para benefício do mundo e de todos nós: são os despertadores de consciência coletiva e individual. Este é um local de transcendência do eu, de perda dos limites do ego ou de encontro do eu com sua versão mais espiritual e menos física. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

A ASTROLOGIA COMO UMA FORMA DE VIVER

No meu ponto de vista, a astrologia não é somente um saber, não é somente trabalho, mas sim é uma forma de conduzir a minha própria vida, é um olhar para o mundo e para o meu mundo, é um olhar para a existência. Eu pessoalmente entendo que, como a astrologia veio muito cedo na minha vida (aos onze anos passei a estudar assiduamente e nunca mais parei), isso moldou decisivamente minha visão de mundo. Toda a minha forma de entender a vida e de entender a minha vida (a minha forma de funcionar) parte do saber astrológico, o qual me incentiva e ajuda a ser uma versão melhor de mim a cada dia, permitindo um olhar de autolapidação para mim mesma, a cada momento.


Para mim, a astrologia é uma forma de viver, que vai muito além de um conhecimento de técnicas e teorias, como muitos conhecimentos são. Astrologia é ver, sentir, ouvir, saborear e tocar a vida de uma outra forma, com um olhar mais rico e profundo para cada acontecimento, para cada ser humano e cada evento. A astrologia moldou o meu olhar a ponto de eu conseguir sentir como funciona o fluxo do tempo e a construção de cada fenômeno como uma parte do todo. Entendendo que vivemos ciclos dentro de ciclos e que os símbolos astrológicos se mesclam entre si a cada instante, construindo de forma sempre única e peculiar cada situação - mesmo que existam padrões mensuráveis sempre possíveis de decifrar, ao decifrarmos os símbolos astrológicos, deciframos cada parte do que compõe os fenômenos.

Astrologia é riqueza de existir e dar sentido a cada fase, cada dia, cada emoção e sensação que pertence ao momento e está codificado ali nos símbolos. Viver com astrologia é fluir na vida, entendendo cada passo como uma peça, em uma engrenagem maior que é a vida. É saber o sentido de cada coisa e saber dar sentido a todos os acontecimentos, a todos os encontros e até os desencontros. É saber que as quedas e os saltos são partes componentes e necessárias de um processo maior, que nos leva sempre ao progresso - mesmo que em alguns momentos a sensação seja de retrocesso, o olhar astrológico ensina: tudo faz parte. E o que constrói em nós essa mente rica de percepções é o olhar astrológico, o olhar para o símbolos com sabor de realidade, de experiência e de verdade. É sentir a vida como rica e pulsante, sempre cíclica mas sempre nova, renovada, emocionante.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

A ANÁLISE DO COSMOS DOS GRANDES ENCONTROS

A astrologia e os encontros sagrados

A análise de compatibilidade astrológica entre pessoas é com certeza a análise mais complexa, intrigante e sem dúvida a minha área preferida, meu xodó dentre todos os desdobramentos possíveis da astrologia. Isso porque, para mim, é sempre uma surpresa e um aprendizado, além de ser um encantamento eterno com a arte do encontro, embora esteja aí retratado também os motivos dos desencontros da vida. Algo inevitável, tanto um como o outro, não cabe aqui o livre-arbítrio unicamente. Ou nem sequer cabe, se olharmos do ponto de vista astrológico, porque tem algo de mágico e intangível, de espiritual e encantador, tem algo de sorte e de arte mesmo, a arte do encontro. Só podemos agradecer e viver os grandes reconhecimentos de alma como benção, o que de fato é, e a astrologia confirma quando é.


E é nesse contexto, com o qual irei focar neste texto prioritariamente nos grandes encontros, os inevitáveis, os encantados, os enebriantes, nas afinidades excepcionais e na compatibilidade acima da média, por motivos de serem esses os mais belos e raros e por isso devemos valorizá-los mais do que costumamos, especialmente nos momentos de vida desafiadores (também inevitáveis) para as duas pessoas. Aqui a gente pode pensar nos encontros de alma, almas gêmeas e chamas gêmeas, aqueles em que ambas individualidades se veem impactadas igualmente e transformadas profundamente. Aquela coisa de filme de romance água com açúcar, que deixa todos nós suspirando.


O mistério que envolve um encontro 

A mística: quando a conexão é verdadeira

Aqui entra a complexidade da coisa, o que me intriga e me hipnotiza diante do saber astrológico: o mistério que envolve um encontro. Me intriga porque o olho no olho de um encontro é algo tão etéreo e significativo para aquelas pessoas, é algo que pertence a elas somente e ninguém mais, é algo intangível e concreto ao mesmo tempo, é uma química real entre almas e quase palpável para quem presencia. Então, por que cargas d’água, na análise de compatibilidade de mapas natais está aí também retratado a natureza desse encontro? Por que uma técnica por si só pode anunciar se duas pessoas são afins e irão se apreciar ou não, se irão se gostar e decidir ficarem juntas ou não, se irão caminhar pela vida de mãos dadas em todos os sentidos (ou não)? Como é isso? Como uma técnica tem como prever isso? Me explica, por favor, se você souber a resposta, porque eu ainda não descobri: da técnica eu entendo, mas do mistério que a envolve, não…


Enfim, quando imaginamos que a vida é uma gigantesca teia de conexões entre pontos de consciências e que uma pessoa é um desses pontinhos de luz que passeia pela vida e se esbarra com centenas de milhares de outras pessosas (outros pontos de luz de consciência interconectados por essa rede)… E se imaginarmos que cada deslocamento de um ser humano pelo mundo movimenta toda essa teia de conexões a todo momento, então podemos imaginar que duas pessoas se encontrarem e se gostarem na imensidão desse oceano de gente conhecida e desconhecida, é nada mais nada menos que um milagre, concordam? Porque conexão não é encontro marcado e bate-papo sem muita importância, conexão é conversa em silêncio e profundidade a cada pausa, é significado em cada gesto e importância de cada história contada. Conexão é encontro marcado pela alma e orquestrado pela vida, conexão é raridade. E quando acontece a gente clica por dentro: aqui eu posso morar, aqui é porto seguro para a minha alma.


E em meio a esse mistério chega a astrologia, como análise do cosmos de cada um, análise e síntese da natureza de cada pessoa, enquanto no encontro são dois cosmos se esbarrando e interagindo, gerando um novo cosmos em comum, uma supernova da relação, do encontro. É nessa poesia, que muitos encontros se tornam desencontros, por não haver a tão rara afinidade de alma e dos cosmos particulares - e entre os mapas natais de cada um. Quando não há afinidade de mapas astrais natais, então cedo ou tarde as duas pessoas se afastam, se desentendem, se revelam no conflito ou no excesso de pacificidade da relação. Tudo pode ser problema, até a ausência dele, quando uma alma não se encontra na outra. Quando não há afinidade, não tem como se enganar por muito tempo ou, se dura muito, essa relação se desgasta, e quando estabiliza no tempo, é certamente por preguiça de um ou ambos de recomeçarem avulsos pela vida. Coisa que o status quo de uma sociedade que valoriza o matrimônio (com seus patrimônios em comum), pode causar em um casal ex-casal casados e desafinados juntos. A desafinação aqui não é do canto, mas da alma que encontra outra alma não afim.


As individualidades e seus cosmos particulares

O mapa natal: o que cada eu é por si mesmo

Nesse ponto, podemos começar a adentrar na astrologia como conhecimento e técnica e direcionar nosso olhar para como se configura o encontro, a partir dos símbolos que cada ser humano carrega individualmente. A primeira análise que é feita, em um estudo de compatibilidade, é justamente uma leitura do mapa natal individual de ambos, onde podemos avaliar qual é o tipo de potencial afetivo e quais são os temas particulares mais propensos para a vida daquela pessoa. Vemos o Sol e como funciona o eixo de sua personalidade, vemos a Lua e como ela se nutre e se conforta, Mercúrio e como raciocina e dialoga, vemos Venus e como ela atrai (mulher) ou como se sente atraído (homem), em Marte e como se projeta (homem) ou como se sente magnetizado pelo outro (mulher), vemos Júpiter e como funciona o processo de expansão pessoal, vemos Saturno e onde existem as marcas de traumas e o carma, Urano e onde há a rebeldia e quebra de padrões, Netuno e onde há idealização e sacrifícios, vemos Plutão e onde há dor-transformação e desejo, vemos Quiron e onde há uma ferida aberta na alma. Além de ver alguns asteróides específicos, para agregar infos direcionadas para a análise de compatibilidade amorosa. Para além de tudo isso, vemos os eixos, as casas, os signos e os aspectos entre os astros, que estão ativados no mapa natal. Ou seja, fazemos a análise completa de uma leitura de mapa astral.


O motivo desse profundo estudo inicial é um princípio bem simples: somos primeiro nós mesmos e nunca deixaremos de ser. Especialmente, se considerarmos que o processo de apaixonamento e envolvimento afetivo pode, durante alguns meses, nos deixar inebriados e alterados na completude de nossa personalidade. Inclusive por motivos bioquímicos, que são ativados através do encontro afetivo, mas que, em um momento posterior, toda essa química cerebral e fisiológica irá ser minimizada de intensidade ou até desaparecer totalmente. E aí é que retornaremos aos temas-base de nossa individualidade e que estão ali representados no mapa natal. Para além disso, em uma avaliação astrológica de mapa natal individual, vemos qual o grau de abertura e espaço interno uma pessoa tem disponibilizada para a relação afetiva em sua vida: se muito ou pouco, se extremamente ou quase zero, se curte romance mas não relações de construção de vida juntos, se é focada no trabalho ou nas amizades e não tanto no amor, se é mais razão e menos emoção ou o contrário, etc. Enfim, no mapa natal já está expresso o potencial afetivo pessoal, o grau de espaço no qual as relações afetivas possuem na vida dessa pessoa e como isso irá moldar sua personalidade e suas parcerias.


O encontro como momento sagrado de reconhecimento

Os momentos de vida particulares: quando chegou a hora


Yes, a astrologia pode prever isso. Existem sim momentos específicos na vida em que o universo conspira para a nossa felicidade, existem sim momentos em que um portal de prosperidade se abre em nossa vida e surge um grande amor, uma grande sorte, uma grande benção. E posso já anunciar que Júpiter fazendo conjunções no nosso mapa, em eixos e planetas, pode sim trazer a pessoa amada para a nossa vidinha. Mas aqui podemos ir além, podemos entender o porquê desse grande salto surgir em nossas vidas, isso porque nós temos que reconhecer, que encontros marcantes, especiais, abençoados não caem do céu todo dia - e as conjunções de Júpiter só acontecem de 12 em 12 anos: é coisa rara. Eu diria que o amor verdadeiro só é possível uma ou no máximo duas vezes na vida, deve ser por isso que dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar ou que o cavalo selado não passa na porta duas vezes. Então, que tenhamos olhos para ver e coração para sentir, quando for um encontro de almas verdadeiro, quando for chama que arde no peito, quando for querer bem mais que bem querer, quando for conexão de alma. Que nossa alma reconheça quando é amor de verdade e “é fogo que arde sem se ver, é um andar-se estar preso por vontade”. Que o nosso coração saiba quando formos realmente flechados pelo cupido e isso se torne o início de uma grande história de amor em nossas vidas.


Quando os olhares se cruzam e o coração sente diferente

O mapa do primeiro encontro: o nascimento do casal


Existe um ponto específico, no qual a astrologia pode decifrar muito do que acontece entre um casal ou no encontro de duas pessoas, que é o mapa do momento exato em que dois olhares se cruzam e formam ali uma conexão instantânea. Este momento é raríssimo de ser identificado (claro), porque as pessoas de modo geral não são astrólogas e não sabem disso, muito menos são capazes de registrar o minuto exato em que se conectam com uma pessoa especial em suas vidas. Afinal, muito mais importante é viver o momento e estar ali presente e recebendo essa dádiva do além. Mas caso haja essa possibilidade, então que registrem este momento de olho no olho, em especial se for o instante exato em que se conectam com alguém específico, com quem tem algo excepcional a viverem juntos. Isso porque aí está uma ferramenta astrológica que faz referência ao nascimento da relação, para além de todas as outras técnicas astrológicas de mensurar e decifrar uma compatibilidade. Esta é, com certeza, muito precisa e informativa sobre o destino da união e sobre quais moldes essa relação irá tomar na vida, como uma entidade que está nascendo ali. Vale ouro a atenção quanto a este momento: se sentiu que foi um encontro diferente, um olhar especial, uma conexão instantânea ou uma fisgada no coração, anotem data, hora e local. ;)


Afinidades e afinações energéticas

A sinastria: o que cada eu é para o outro


Esta terminologia (e sua técnica) é provavelmente a mais popular e conhecida de todas as técnicas astrológicas de compatibilidade - de modo geral, quando alguém pede uma sinastria, ela quer dizer que quer uma análise completa de compatibilidade, a qual junta sinastria a todas as outras técnicas. Na verdade, a sinastria é uma técnica muito mais alargada e utilizada na vida e na astrologia em diversos aspectos e em muitos outros contextos. Porque podemos fazer a sinastria entre diversos nichos da vida, como entre uma pessoa e um lugar, uma pessoa e um momento, uma pessoa e outra pessoa etc., esta última sendo então uma das ferramentas mais precisas dentre as técnicas de análise da compatibilidade amorosa. A sinastria nada mais é que a mescla entre dois mapas natais, ou melhor, a sobreposição entre mapas, na qual vemos os aspectos entre planetas e eixos, a ativação entre casas natais e a combinação de signos ativados. Vemos com isso, como cada eu ativa e é ativado em sua essência, ao se conectar com o outro eu, vemos assim o que é despertado na natureza particular entre os dois indivíduos, quando estão juntos em parceria ou só ao estarem pareados. Aqui neste ponto, podemos sim notificar o que uma pessoa desperta na outra e a química da relação, pois esta técnica é muito corpórea, energética e analisa o campo individual sendo compartilhado e influenciando bilateralmente ao outro campo individual. Na sinastria podemos avaliar o grau de compatibilidade em níveis muito concretos, pois as ferramentas que compõem a existência de cada pessoa são mescladas com as ferramentas da outra pessoa e com isso surge uma combustão (digamos assim) ou a química em si - ou a ausência dela. Neste ponto, vemos se as duas pessoas se agradam ou não, se parecem ou não, se compartilham de modos de viver similares ou não e se tem afinidade energética ou não. Assim como se a química é forte ou não e que tipo de química é essa: as qualidades de cada ser podem conjugar uma união mais para construtiva ou mais para destrutiva? É nesta técnica que podemos avaliar.


Um encontro é mais do que a junção de duas pessoas

O mapa composto: a relação como uma entidade à parte

Sim, a relação é um ser avulso e cheio de vontades próprias e que se relaciona separadamente com cada um dos componentes da parceria. Calma, deixa eu explicar. A união de duas pessoas, seja afetiva ou não, evoca um campo de relação avulso, composto por ambas as pessoas e para além delas, uma entidade à parte dos dois indivíduos. E é daí que surge a técnica de mapa composto, que é o mapa astral do encontro de duas entidades, mas que gera uma nova, uma composição única da alquimia entre dois seres. Como técnica, este mapa nos apresenta a média matemática de cada ponto referente aos mapas de cada pessoa separadamente, então ele forma um mapa hipotético de um céu que nunca existiu, mas que existe como campo da parceria, existe como egrégora do casal (em relações amorosas), ou seja, existe como ponto médio entre os campos individuais. Este mapa é muito revelador, pois mostra a dinâmica da relação e com a qual ambos indivíduos tem que lidar, especialmente quando é uma dinâmica desafiadora, com pontos do mapa que ativam conflitos, impedimentos ou restrições, mas é maravilhosa quando existe um composto que mostra uma linda relação e ambas as pessoas desfrutam desse encontro excelente. Ainda tem mais, podemos aplicar o mapa composto aos mapas natais individuais e assim descobrir uma outra camada de compatibilidade da união, que é o que a dinâmica da relação (mapa composto) ativa em cada uma das pessoas que compõem essa relação. Ou seja, podemos fazer a sinastria do mapa composto com os mapas natais de cada um e assim descobrir como aquela relação ativa o campo individual, como desperta ou influencia as particularidades de cada pessoa da união. Um grande passo é dado, na análise da compatibilidade do casal, quando podemos conjugar ambos mapas natais em um mapa composto: surge aí um mapa do composto energético ou do campo da relação.


O destino em comum, o caminhar da parceria

O mapa de relação (Davison): o futuro da união

Outra técnica muito valiosa é o mapa de relação. Ele tem uma proposta bem parecida com a do mapa composto, exceto que a técnica é outra e que aqui o mapa de relação agrega informações não só sobre o campo da união, mas sobre o campo que se forma com o passar do tempo. Ou seja, o mapa de relação é o mapa do desenrolar, do desenvolvimento e do futuro da união, nele vemos quais pontos surgem e quais são agregados ao campo inicial da relação (apresentado no mapa composto) com o progresso da parceria. É nele que vemos para onde a união se dirige, para qual campo simbólico ela vai se conduzindo e se construindo no passar do tempo e das vivências em comum. Como técnica, o mapa de relação (Davison) difere do mapa composto no fato de que aqui está retratado um céu real, que existiu no espaço-tempo e que aconteceu na data exata no meio entre os dois nascimentos (bem na metade), é o mapa astral da data média entre o parto de um e do outro, dos dois indivíduos que compõem a relação. Assim como o mapa composto, aqui existe um campo avulso e com características próprias e que pode ser aplicado aos mapas individuais para se entender como a relação, ao se desenvolver, influencia naquela individualidade que pertence à união. Este mapa é extremamente importante na análise de compatibilidade, pois mostra o potencial de desenvolvimento no tempo, mostra o crescimento da relação e se será mais construtiva ou não no decorrer das vivências e experiências em comum.


As crises individuais ou no relacionamento 

A (possível) separação: os desafios dos ciclos da vida

Bem, não podemos deixar de considerar as crises pelo caminho, não é? Essas que podem causar enormes danos para a relação e deteriorar a magia do encontro. É verdade que nem sempre os encontros de alma percorrem o tempo e superam e se superam como união sagrada, ao atravessarem as crises individuais e da relação em si. Isso porque a relação, já que é uma entidade à parte e possui seus mapas avulsos, também passa sim por suas crises existenciais e seus momentos de baixa, de desconstrução e bloqueios, assim como passa pelos momentos de salto, de expansão e de bençãos para a união. Tudo funciona da mesma forma que um mapa astral comum, ao aplicarmos as mesmas técnicas de previsão de um mapa natal individual de um ser humano aos mapas composto, de relação e do primeiro encontro. Diante disso, o que fazer? Aqui entram aspectos muito particulares e o grau de intensidade da crise. Entra o fato de a crise ser só da relação ou se se soma a crises individuais dentro da parceria, entra o grau de força da relação e compromisso feito na união, o grau de afinidade e de química, o grau de amor e de comprometimento particular, de ambas as partes, na força do vínculo ou se existe aí uma união possível de ser rompida. São muitos fatores: contextos de vida, livre-arbítrios particulares, força do vínculo, construções de vida em comum e agentes externos (e internos) que podem chegar intervindo na união etc. Tudo isso pode vir por à prova a relação e pode (ou não) causar o fim dela ou, uma opção melhor ainda, pode trazer um novo começo em comum.


Ficar junto é uma composição de múltiplos fatores

O livre arbítrio: quando escolhemos parmanecer (ou não)

Chegamos aqui ao imponderável: o livre-arbítrio de cada pessoa. Isso mesmo, podemos ter até aqui só pontos maravilhosos a serem analisados e observados em uma união, podemos ter até aqui muito mais aspectos construtivos, favoráveis e afins para avaliar se duas pessoas podem dar certo em um encontro de almas, podemos inclusive ficar encantados com a história de amor que está sendo contada nessas vidas, mas podemos também nos deparar com uma separação. Sim, é possível e é humano. Não é incomum no mundo atual existirem histórias lindas que chegaram ao fim, em um momento de vida em que o livre-arbítrio de um ou de outro ou dos dois pede por seguirem caminhos divergentes. Há sempre essa possibilidade e não raro é o que acontece na maioria das famílias. Isso pode acontecer por uma explicação astrológica também: o desenvolvimento humano individual passa (em algumas fases) por etapas de ruptura com o passado, com o passado do eu e de tudo aquilo que o envolve, incluindo aí as relações em geral, a profissão, as amizades, os locais de moradia, a saúde, o propósito de vida e… o amor. Existe sim, etapas da vida, em que é necessário haver rupturas e saltos evolutivos, o que muitas vezes significa o fim de uma linda relação amorosa, que pode ter durado anos, que pode ter tido família e filhos, que pode ter tido amor real, mas que mudou de forma e deixou de preencher a vida de um e do outro na união. Aqui a astrologia sinaliza os trânsitos de Urano como um provável ativador desse estado, com suas fases de salto de consciência, desprendimento com o passado e com vínculos, além de busca por novos caminhos, novos rumos, novo destino e novas descobertas. Um novo estágio de vida é buscado aí e o livre-arbítrio costuma se impor, modificando toda a estrutura de vida e, provavelmente, o destino de uma história de amor. Afinal, tudo é possível nessa vida.